Deolane deve seguir para presídio no interior após prisão por ligações com o crime organizado

Investigação aponta recebimento de valores da facção via empresa de transportes; bens bloqueados somam R$ 27 milhões

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(FOTO: deolane no Instagram)

Após dar entrada na Penitenciária Feminina Sant’Ana, a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra deve ser transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista Deolane também passou por audiência de custódia virtual e teve sua prisão homologada.

A prisão ocorreu na manhã de quinta-feira (21/05), após investigação que aponta envolvimento dela em operação de lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Polícia Civil, Deolane teria recebido quantias da organização criminosa por meio de uma transportadora de cargas. A Justiça determinou o congelamento de R$ 27 milhões em patrimônio da influenciadora.

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Operação atinge cúpula do PCC

A mesma ofensiva resultou em seis mandados de prisão preventiva contra integrantes da liderança da facção. Entre os alvos está Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como chefe do grupo criminoso, que recebeu nova ordem de prisão.

Também foram expedidas ordens contra Alejandro Camacho (irmão de Marcola), Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (sobrinha e sobrinho), além de Everton de Souza, o Player, identificado como operador financeiro da organização.

Transportadora no centro do esquema

As apurações indicam que a Lopes Lemos Transportes, com sede em Presidente Venceslau, funcionava como braço financeiro da cúpula do PCC. A empresa teria sido usada para movimentar recursos ilícitos e disfarçar a origem do dinheiro.

A Justiça ordenou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros ligados ao esquema.

Investigação começou em 2019

O caso teve início após a apreensão de bilhetes e manuscritos em uma penitenciária, em 2019. O material revelou ordens internas da facção e referências a ataques contra servidores públicos.

Um segundo inquérito buscou esclarecer a relação entre a transportadora e o grupo criminoso. Em 2021, a Operação Lado a Lado identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados e confirmou o uso da empresa para lavar dinheiro.

Celular revelou depósitos para Deolane

Durante a Operação Lado a Lado, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. No aparelho, foram encontradas imagens de depósitos em contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza.

Segundo investigadores, Ciro comprava caminhões e executava ordens de Marcola e Alejandro. O material do celular originou nova frente investigativa que levou à prisão da influenciadora.

O inquérito identificou que Deolane movimentou valores incompatíveis com sua renda formal declarada. A advogada passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e teve o nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Ela retornou ao Brasil na quarta-feira e foi presa no dia seguinte.

Análise de documentos em andamento

O delegado Edmar Rogério Dias Caparroz, responsável pelo caso, informou que a polícia ainda analisa documentos e equipamentos apreendidos. “São muitos alvos, bastante coisa para ser formalizada. Então nós vamos dar uma analisada primeiro mostrando o material que foi recolhido”, declarou.

Além de Deolane, o influenciador Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação dela, também está entre os investigados. A operação segue em andamento para formalizar as acusações contra todos os envolvidos.

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