A defesa de Paola Stefany Neto Cirino pediu à Justiça a realização de um exame de sanidade mental. A Polícia Civil indiciou a diarista por dois crimes de latrocínio pela morte de um casal de idosos no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Segundo o delegado Gustavo Barletta, a investigada afirmou durante o depoimento que teria ouvido vozes antes do crime. Ela relatou que essas vozes exigiam “sangue” e que, depois das mortes, teriam autorizado a retirada dos bens do apartamento.
A Polícia Civil ressalta que essa é a narrativa apresentada por Paola e que a alegação ainda precisa ser avaliada tecnicamente.
O que Paola disse à Polícia Civil
De acordo com Gustavo Barletta, a investigada não conseguiu explicar quem seria a voz mencionada no depoimento. “Ela dizia que eram vozes que queriam sangue. A gente questionou quem era essa voz, mas ela não soube explicar”, afirmou o delegado.
Paola também teria declarado que, depois do crime, ouviu que poderia levar dinheiro e outros objetos do imóvel. “Essa é a narrativa dela”, reforçou Barletta.
A alegação de que ela teria ouvido vozes já havia sido apresentada no início da investigação. Na ocasião, o delegado afirmou que o relato seria confrontado com as provas reunidas no inquérito.
Defesa pediu exame de sanidade mental
A partir das declarações, os advogados protocolaram um pedido para que Paola seja submetida a uma perícia médica no Instituto Médico-Legal.
Segundo o delegado, a Polícia Civil não possui competência legal para determinar especificamente a instauração do incidente de insanidade mental. Por isso, o requerimento foi encaminhado ao Poder Judiciário.
“Nós encaminhamos o pedido para evitar um eventual cerceamento de defesa ou uma alegação de nulidade”, explicou Barletta.
Até a última atualização, a Polícia Civil ainda aguardava uma manifestação da Justiça e do Ministério Público.
O que o exame poderá avaliar?
O incidente de insanidade mental pode ser instaurado quando houver dúvida sobre a capacidade da pessoa de compreender o caráter ilícito da própria conduta no momento do crime.
A perícia é feita por especialistas e não depende apenas do relato apresentado pela investigada. Os profissionais podem analisar documentos médicos, histórico de tratamento, entrevistas clínicas e outros elementos do processo.
A realização do exame também não determina automaticamente que a investigada seja considerada inimputável. A conclusão caberá aos peritos e será analisada pela Justiça.
Justiça havia apontado falta de provas objetivas
Durante a audiência de custódia, a defesa alegou que Paola teria agido durante um surto psicótico.
A juíza responsável afirmou que, naquele momento, não haviam sido apresentados laudos, relatórios médicos ou outros documentos capazes de comprovar uma condição que comprometesse a compreensão dos atos.
Exames realizados depois da prisão também não identificaram vestígios de medicamentos psiquiátricos ou drogas no organismo da investigada. A magistrada, entretanto, registrou que um incidente de insanidade mental poderia ser instaurado posteriormente, caso surgissem elementos que justificassem a perícia.
Paola foi indiciada por duplo latrocínio
A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou Paola por dois crimes de latrocínio, caracterizados como roubo seguido de morte.
Segundo a investigação, ela foi ao apartamento para prestar um serviço de limpeza e utilizou medicamentos sedativos para reduzir a capacidade de reação das vítimas antes de matar o casal a facadas e retirar dinheiro, joias, relógios e outros objetos.
O inquérito será analisado pelo Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça. O indiciamento não representa condenação.
O que diz a defesa
A defesa sustenta que Paola possui histórico de problemas psiquiátricos e afirma que a responsabilidade criminal deverá ser avaliada com base em documentos médicos, perícias e nas provas produzidas durante o processo.
Os advogados também defendem que qualquer conclusão seja tomada pela Justiça, sem julgamento antecipado. A investigada permanece presa preventivamente.




