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MPF apontou que Banco Master desviou R$ 5,7 bi usando hospital infantil

Esquema envolvia fundos de investimento e empresas ligadas aos sócios do banco

O Ministério Público Federal (MPF) identificou um esquema de desvio de R$ 5,7 bilhões do Banco Master que utilizava uma clínica médica e um hospital infantil como parte da operação fraudulenta. A investigação resultou em buscas e apreensões realizadas na quarta-feira (14) contra a instituição financeira e pessoas envolvidas no caso.

De acordo com o MPF, o banco direcionava recursos captados por meio de CDBs para fundos de investimento nos quais era o único cotista. Estes fundos adquiriam títulos emitidos por empresas que mantinham “vínculos societários ou relações pessoais com os sócios do Banco Master”, conforme revelou Natália Portinari em sua coluna do UOL.

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Um dos indícios que reforça a suspeita de desvio foi uma transferência de R$ 9 milhões repassada a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, por meio de um intermediário. Os desvios ocorreram durante o ano passado, período em que o inquérito foi conduzido.

A investigação revelou que dos mais de R$ 3,5 bilhões investidos pelo Master em fundos dos quais era cotista único, aproximadamente R$ 1,8 bilhão foi destinado à aquisição de notas emitidas por empresas vinculadas aos próprios sócios.

A Clínica Mais Médicos emitiu R$ 361 milhões em notas comerciais “sem quaisquer garantias”. O capital social da empresa era zero e sua dívida era 6.500 vezes maior que sua receita anual bruta, que em 2023 foi de apenas R$ 54 mil, demonstrando “uma alavancagem manifestamente incompatível com qualquer parâmetro de viabilidade econômica”.

Sobre a presidente da Clínica Mais Médicos, o MPF destacou: “Apesar de presidir uma sociedade que captou milhões, (Valdenice) não possui patrimônio e foi beneficiária de auxílio emergencial em 2020 e 2021, o que demonstra que na realidade figurava como interposta pessoa (‘laranja’)”.

A Clínica Mais Médicos está ligada ao Hospital da Criança de São José, que emitiu R$ 372 milhões em notas adquiridas pelo Master. “Outras empresas vinculadas aos sócios, como a Holding AF S.A. e Simetria Planos de Saúde Eireli, reproduziram o mesmo padrão de emissão de NCs adquiridas pelos fundos do Banco Master.”

A operação de busca e apreensão teve como alvo diversas pessoas físicas e jurídicas, incluindo Valdenice Pantaleão, presidente e sócia da Clínica Mais Médicos. O Banco Master e seus sócios, juntamente com os responsáveis pelas administradoras de fundos de investimento Reag, Ruby Capital e Trustee DTVM, são os principais envolvidos no esquema.

João Mansur, ex-proprietário da Reag, também é apontado como participante ativo no desvio de valores, tendo inclusive utilizado seus filhos como laranjas.

A Brain Realty, empresa sediada em São Paulo, recebeu aproximadamente R$ 460 milhões em empréstimos considerados fraudulentos do Banco Master. Esses valores foram posteriormente repassados a fundos que aplicaram o dinheiro em papéis de baixa liquidez e valor fictício, como cártulas do Besc, banco de Santa Catarina extinto em 2008.

“Tais fluxos, que ocorreram entre abril e maio de 2024, totalizaram um desembolso de R$ 1,45 bilhão pelo Banco Master, com um retorno de R$ 1,38 bilhão via aquisição de CDBs pelos fundos Astralo 95 e Reag Growth 95”, afirma a manifestação da PGR.

Após a operação, a defesa de Vorcaro informou que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e está disponível para prestar esclarecimentos.

Os advogados de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, declararam que ele está “à inteira disposição das autoridades” para cooperar e que suas atividades são “lícitas”, sem qualquer relação com a gestão do Banco Master.

Leia mais: Wet’n Wild é denunciado por funcionários após morte de salva-vidas

A defesa de Nelson Tanure afirmou que ele não possui vínculo societário com o Master e está confiante que a investigação comprovará a inexistência de práticas ilícitas.

O advogado de João Carlos Mansur, ex-proprietário da Reag, comunicou que não teve acesso à investigação, mas está disponível para prestar os esclarecimentos necessários às autoridades.

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