O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez nesta segunda-feira (19/01) duras críticas à gestão anterior do Banco Central, afirmando que o atual presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, herdou uma série de problemas, incluindo o da fraude do Banco Master.
Em entrevista ao portal UOL, Haddad disse que a fraude no Master já ocorria durante a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central e que Galípolo herdou o problema.
Além da crise do Master, Haddad defendeu que a gestão anterior do BC alimentou o problema de desancoragem de expectativas de inflação.
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Conforme Haddad, o trabalho de Galípolo à frente do BC em 2025 serviu para “retornar as coisas à normalidade”. Campos Neto havia sido indicado ao comando do BC pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, tendo deixado o cargo no fim de 2024.
Poder de fiscalização do BC
O ministro também afirmou que o governo está discutindo formas de ampliar o perímetro regulatório do Banco Central para aumentar o poder de fiscalização sobre fundos de investimento, incorporando à autarquia atribuições que estão hoje sob a alçada da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
“Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central, e que está no âmbito da CVM – na minha opinião, equivocadamente. O BC tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a fiscalizar os fundos”, disse.
CVM, AGU, Ministério da Gestão e BC não responderam de imediato a um pedido de comentário feito pela agência Reuters.
Haddad afirmou que o tema é debatido entre sua pasta, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, além do presidente do BC.
O debate é feito em meio a operações policiais que investigam a atuação de fundos de investimentos, com possíveis fraudes relacionadas ao Banco Master e ações ligadas a facções criminosas.
Por Reuters
