Helicóptero que matou 6 no Rio tinha contrato irregular com prefeitura

Segundo a Folha, a Aeronave PR-DJJ estava registrada na categoria TPP, que proíbe compensação por voos

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo

O helicóptero PR-DJJ, envolvido na colisão que matou seis pessoas neste domingo (14) no Rio de Janeiro, operava com um contrato considerado irregular pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Segundo a Folha, a aeronave tinha um acordo de permuta com a Prefeitura do Rio de Janeiro: o proprietário oferecia horas de voo em troca do uso de infraestrutura pública de pouso.

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Os dois helicópteros colidiram pouco antes das 9h na Avenida das Américas, na Zona Oeste do Rio. O impacto incendiou cerca de 15 veículos elétricos no pátio da BYD e danificou outros cinco. Entre as vítimas estão o cantor norte-americano Oliver Tree, o produtor musical Lucas Frota, o influenciador Gaspi e o cineasta Lucas Vignale. O piloto do PR-DJJ, Charles Marsillac, também morreu na queda.

O contrato com a prefeitura

Documentos obtidos pela Folha mostram que Maurício da Cunha e Silva Espíndola Dias, proprietário da aeronave, assinou um termo de compromisso com o Centro de Operações e Resiliência da prefeitura em abril de 2025. O acordo tinha validade de 24 meses.

Pelo contrato, o proprietário oferecia ao município uma hora de voo a cada 24 pousos ou a cada 60 dias, o que ocorresse primeiro. Em troca, tinha acesso a heliponto público.

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A Anac, porém, classifica esse modelo como irregular. O PR-DJJ estava registrado na categoria TPP (Transporte Privado de Pessoas), que não autoriza serviços comerciais de transporte. Segundo a agência, “Não pode. Aeronaves privadas (não certificadas para transporte/panorâmico) não podem receber compensação para realizar voos. Aeronaves desse tipo devem ser utilizadas para benefício do seu proprietário ou operador e seus convidados. O transporte não pode ser cobrado”.

Anac avalia legalidade

A agência afirmou que “tomou conhecimento da utilização de contrapartida em horas de voo para utilização de infraestrutura pública e está avaliando a legalidade frente aos regulamentos existentes”.

Ainda de acordo com as informações, a prefeitura do Rio mantém acordos de permuta semelhantes com diversos operadores de helicópteros. O voo que resultou no acidente, no entanto, não envolvia prestação de serviço para a prefeitura.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) investiga as causas da colisão. O helicóptero PR-DJJ era um modelo AS 350 B2, fabricado em 2012, conforme dados da Anac.

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