Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, comunicou à juíza Elizabeth Machado Louro sua intenção de nomear o próprio filho como advogado da defesa. O pedido ocorreu na segunda-feira (25/05), durante o julgamento pelo assassinato do enteado Henry Borel, morto em 8 de março de 2021, aos 4 anos, com múltiplas lesões internas e hemorragia.
O motivo alegado foi o infarto sofrido pelo advogado Fabiano Tadeu Lopes no último sábado (23/05). Lopes era o principal responsável pela condução do caso. Jairinho argumentou que, sem ele, ficaria impossibilitado de exercer plenamente o direito à defesa. Nas palavras do réu à magistrada: “Sendo assim, doutora fica impossível eu ser defendido nesse momento, porque a pessoa que está me defendendo há um dia atrás teve um infarto e é ele quem tem conhecimento dos fatos para demonstrar aos jurados a verdade do que está acontecendo.”
Quem é o filho de Jairinho
Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos tem 28 anos e concluiu a graduação em Direito pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) em 2022. Desde a formatura, dedica-se exclusivamente ao caso do pai.
Ele não é um nome novo no processo. Aos 24 anos, em 2021, prestou depoimento na segunda audiência de instrução e julgamento. À época, já defendia publicamente a inocência de Jairinho. Em entrevista ao blog True Crime do jornal O Globo, em 2024, descreveu o pai como referência de carinho e afirmou acreditar em sua inocência após questioná-lo diretamente.
A tese que Luís Fernando sustenta é a de erro médico. Segundo ele, Henry caiu da cama, bateu a cabeça e ficou inconsciente. A mãe, Monique Medeiros, teria levado a criança ao hospital junto com Jairinho, e os médicos teriam sido negligentes no atendimento. “Ele morreu em decorrência de um erro médico. Ou seja, a culpa é dos médicos que realizaram os primeiros procedimentos de socorro”, declarou o filho do réu na mesma entrevista.
Julgamento e desdobramentos recentes
O julgamento estava marcado para 23 de março, mas foi suspenso e retomado na segunda-feira, 25. Após reunião das partes, a sessão teve continuidade. A juíza Elizabeth Louro também leu pedidos do Ministério Público (MP), entre eles a transferência de Jairinho da casa de custódia Bangu 8 para a penitenciária Bangu 1.
Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Monique enfrenta acusações de homicídio qualificado por omissão, tortura e coação.
A situação de Monique passou por reviravoltas recentes. A juíza Elizabeth Louro havia determinado o relaxamento de sua prisão preventiva — medida cautelar que mantém alguém detido antes do julgamento final. Leniel Borel, pai de Henry e assistente de acusação, apresentou reclamação à Procuradoria-Geral da República (PGR). Em 16 de abril, a PGR se manifestou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo retorno de Monique à prisão. No dia seguinte, 17 de abril, o ministro Gilmar Mendes restabeleceu a prisão preventiva. A Segunda Turma do STF confirmou a decisão por unanimidade.




