O julgamento pela morte do menino Henry Borel entrou em sua fase decisiva nesta quarta-feira (03/06), com as alegações finais da acusação e das defesas no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Durante sua sustentação, o promotor Fábio Vieira pediu a condenação de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros, mãe da criança, e fez duras críticas à conduta dos dois réus.
Ao apresentar a tese do Ministério Público, Vieira afirmou que Jairinho apresenta características de um “psicopata severo” e que Monique possui “traços de narcisismo”. Segundo o promotor, a mãe de Henry teria ignorado diversos sinais de que o filho sofria agressões.
“Quando a gente se debruça sobre o processo, a gente vê os gritos desse garoto pedindo socorro para a mãe”, afirmou o representante do Ministério Público aos jurados.
A acusação também destacou episódios relatados ao longo do julgamento para sustentar a tese de que Monique teria deixado de agir diante de indícios de violência contra o filho. Entre os pontos citados estão relatos de comportamento da criança, atendimentos médicos anteriores e a permanência do relacionamento com Jairinho após a morte de Henry.
Comportamento de Monique sob escrutínio
Durante os debates, a promotora Audrey Marques reforçou o pedido de condenação dos dois réus e lembrou que o Ministério Público atribui a Jairinho três episódios de tortura contra a criança antes da morte. “Do Henry foram tirados 70 anos de vida. Ele não pode ir para a escola, ele não vai virar adolescente, ele não vai namorar, viajar, casar e ter filhos”, disse.
O assistente de acusação Cristiano Medina também defendeu a responsabilização do ex-casal. Segundo ele, as provas reunidas ao longo do processo indicam que Henry sofreu agressões enquanto estava sob os cuidados de Jairinho e Monique. Medina afirmou ainda acreditar que ambos serão condenados.
Outro ponto abordado pela acusação foi a tese da defesa de Jairinho de que a lesão fatal teria sido causada por uma freada brusca em um carro de aplicativo antes de o menino chegar ao apartamento onde morava com a mãe. O promotor rebateu essa versão e sustentou que as provas produzidas durante o julgamento não apontam para um acidente como causa da morte.
Vieira também voltou a citar depoimentos de testemunhas e ex-companheiras de Jairinho para reforçar a acusação de que Henry vinha sofrendo agressões antes da madrugada de 08/03/2021, quando morreu.
Sobre Monique, a promotora ressaltou que ficou evidente a preocupação dela com a própria imagem durante todo o processo. Segundo a promotora, quando Monique disse ter buscado ajuda para Henry com psicóloga, professora e médico, ela estava, na verdade, maquiando a preocupação com o filho.
Vieira foi além na avaliação do comportamento da ré. Ele disse que, sentada no banco dos réus, ela em nenhum momento disse que poderiam condená-la, pois a pena maior já havia sido a morte do filho. Segundo o promotor, ela se coloca em primeira pessoa o tempo inteiro e se apresenta como a injustiçada.
Defesas contestam acusações
As defesas dos dois réus mantiveram as teses apresentadas ao longo do julgamento. Os advogados de Monique afirmaram que ela não participou do crime e argumentaram que não há provas de que a mãe tenha contribuído para a morte do filho. A defesa também sustentou que Monique vivia um relacionamento marcado por manipulação psicológica e que não tinha conhecimento das agressões.
Já os advogados de Jairinho voltaram a defender a hipótese de que a lesão que causou a morte de Henry poderia ter ocorrido antes de a criança chegar ao apartamento do casal. O ex-vereador nega ter agredido o menino e afirma ser vítima de acusações falsas.
Em depoimento prestado nesta semana, Monique declarou que atualmente acredita que Jairinho foi o responsável pelas agressões que resultaram na morte do filho. Jairinho, por sua vez, negou qualquer participação no crime e afirmou que tentou socorrer a criança ao perceber que ela passava mal.
Decisão cabe aos jurados
Após o encerramento dos debates, caberá aos sete jurados decidir se Jairinho e Monique devem ser condenados ou absolvidos das acusações relacionadas à morte de Henry Borel.
O menino morreu em março de 2021, aos 4 anos de idade. O caso teve grande repercussão nacional e resultou na denúncia do ex-vereador e da mãe da criança por crimes ligados à morte e às agressões sofridas por Henry.




