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Juiz que inocentou réu por estupro é acusado por primo de tentativa de abuso

Saulo Láuar denunciou Magid Nauéf Láuar após desembargador votar pela absolvição de réu por estupro de vulnerável no TJ-MG

Saulo Láuar, servidor público de 42 anos, acusou o desembargador Magid Nauéf Láuar de tentativa de abuso sexual. O episódio teria ocorrido quando Saulo tinha 14 anos e trabalhava como office boy para o magistrado, seu primo em segundo grau. 

A denúncia foi divulgada nas redes sociais após a repercussão de um caso no qual o desembargador votou pela absolvição de um réu acusado de estupro de vulnerável no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o TJ-MG instauraram procedimentos para apurar as acusações contra Magid Nauéf Láuar.

Segundo Saulo, o desembargador tentou abusar sexualmente dele durante o período em que trabalhava para o primo. O servidor conseguiu fugir antes que o abuso se consumasse. O episódio permaneceu em segredo por décadas.

A decisão de tornar pública a denúncia aconteceu após o magistrado atuar como relator em um caso que absolveu um réu por estupro de vulnerável. A decisão prevaleceu entre os desembargadores do TJMG e gerou grande repercussão nacional.

Trauma ressurgiu após caso de menina de 12 anos

A comoção causada pelo caso da menina de 12 anos fez ressurgir em Saulo as memórias do trauma vivido na adolescência.

“Estava levando a minha vida com esse trauma da maneira que dava. Mas me vi na obrigação de não deixar isso passar e resolvi denunciar“, conta Saulo em sua primeira entrevista sobre o caso, ao jornal “O Globo”. “Nunca tinha falado sobre o que passei. Minha mãe só soube depois de anos, e mais ninguém. Era um segredo meu.”

O servidor classificou sua publicação como um “desabafo” sobre o que viveu. A comoção pelo caso da menina de 12 anos fez ressurgir “todo o episódio”.

Saulo explicou que nunca havia falado publicamente sobre o ocorrido. Sua mãe soube do episódio apenas anos depois. Mais ninguém tinha conhecimento.

“O que ele fez comigo causou muita tristeza. Uma tristeza latente. Ela fica ali. Se mistura com outras dores, alimenta outras dores. E também uma vontade de estar sempre fugindo, necessidade de me esconder o tempo todo”, declarou.

Segunda vítima se manifesta

Outra mulher se manifestou nas redes sociais afirmando ter sido “vítima dessa mesma pessoa”. Ela comentou na publicação de Saulo.

A segunda vítima escreveu: “Na época, eu e minha irmã trabalhávamos para a família dele, eu trabalhava para a irmã, e a minha irmã para a mãe. Eu era nova, confiava naquele lugar e guardei tudo em silêncio por muito tempo. A gente tenta seguir a vida, fingir que esqueceu, mas não esquece. Fica guardado na memória, no corpo e na alma. Seu desabafo trouxe à tona lembranças difíceis, mas também me fez perceber que o silêncio só protege quem errou. Hoje me recuso a continuar calada”.

Nesta terça-feira (25/02), duas vítimas foram ouvidas por representantes da Corregedoria do CNJ no interior de Minas Gerais.

Leia mais: CNJ decide apurar absolvição de homem acusado de estupro de vulnerável em MG

Investigações em andamento

O CNJ prosseguirá com a investigação através de sua Corregedoria. O TJ-MG também dará continuidade ao procedimento administrativo instaurado para apuração de eventual falta funcional por parte do desembargador.

O TJ-MG informou que recebeu “uma representação noticiando os fatos em questão” e instaurou procedimento administrativo.

Sobre o posicionamento do desembargador, o tribunal declarou: “Aguardamos o retorno dele sobre a disponibilidade ou interesse em se pronunciar”. Não houve manifestação posterior.

Saulo avaliou a repercussão de sua publicação nas redes sociais: “O meu relato ganhou uma proporção que é resultado de um desconforto social causado pela absolvição no caso que ele julgou“, declarou.

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