O professor Ricardo Akira Matsufuji foi espancado dentro do metrô de São Paulo enquanto seguia para o trabalho pela Linha 5-Lilás. O agressor gritava ofensas homofóbicas durante as agressões, segundo relato de Matsufuji e de testemunhas que presenciaram o episódio.
As agressões começaram por volta das 7h40, quando Matsufuji sentiu um chute na perna dentro do vagão. “Era uma pessoa totalmente desconhecida, nunca vi na minha vida. Algumas estações antes da que eu desceria, senti um chute na perna. Não foi forte, mas foi um chute. Tinha um homem que estava perto, pareceu que foi proposital \[…\] Ele não teve reação nenhuma, sem contato visual”, disse. Ao desembarcar na estação de destino, o agressor o empurrou para o chão e partiu para cima dele. “Eu não tenho certeza se caí no chão e vi ele vindo para cima de mim, mas lembro da sensação de olhar para trás e ver esse homem vindo. Também lembro dele me desafiando, falando: ‘Você pensa que pode me encarar?'” disse ao G1.
As agressões deixaram Matsufuji com ferimentos na cabeça e no rosto, incluindo cortes e hematomas, além de fratura e perfuração no tímpano. Ele conseguiu se desvencilhar do agressor e buscou refúgio na escada rolante, onde recebeu auxílio de testemunhas.
Em nota a Via Mobilidade destacou que lamenta o ocorrido e repudia, de forma veemente, qualquer ato de violência, discriminação ou intolerância. A concessionária informa que registrou uma ocorrência de desentendimento entre clientes no último sábado (11), no interior de uma composição da Linha 5–Lilás, no trecho entre as estações Campo Belo e Eucaliptos e ao identificarem as partes envolvidas, os agentes viram que um dos clientes apresentava escoriações no rosto. Ele recebeu os primeiros socorros, foi encaminhado à UPA Vila Mariana e ao 27º Distrito Policial para registro da ocorrência e prosseguimento da denúncia.
Agressor liberado, caso não registrado como homofobia
A Polícia Militar foi acionada pela Motiva, concessionária que opera a Linha 5-Lilás, somente depois que as agressões cessaram. Vítima e agressor foram encaminhados juntos, primeiro à UPA Vila Mariana e, em seguida, ao 27º Distrito Policial.
O agressor teve o boletim de ocorrência registrado e foi posto em liberdade na sequência. A polícia se recusou a enquadrar o caso como homofobia, e Matsufuji acabou classificado na ocorrência como vítima/autor.
Em nota a SSP relatou que o caso foi registrado como lesão corporal pelo 27º Distrito Policial (Campo Belo) e encaminhado à Delegacia do Metropolitano. Foram solicitados exames periciais às partes envolvidas e durante a apuração, caso sejam colhidos novos elementos, a natureza da ocorrência pode ser alterada.




