O Brasil entra no outono nesta sexta-feira (20/03), às 11h45. A nova estação não trará o resfriamento aguardado pela população. Projeções meteorológicas indicam temperaturas superiores à média histórica em praticamente todo o território nacional durante abril, maio e junho.
A Climatempo prevê que a primeira massa de ar polar com intensidade significativa chegue ao país apenas na transição entre maio e junho. Essa frente fria poderá provocar geada no Sul e temperaturas mínimas próximas a 10°C na capital paulista.
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Os modelos climáticos internacionais apontam o desenvolvimento gradual do El Niño ao longo do trimestre abril-maio-junho. A probabilidade dessa transição se confirmar no período é de aproximadamente 85%.
Fenômeno climático explica calor prolongado
O La Niña se manifestou de forma fraca durante o verão. O fenômeno perdeu força desde fevereiro e caminha para o fim. Essa mudança no Oceano Pacífico explica a manutenção do calor acima do normal.
O processo de transição para o El Niño tende a manter temperaturas elevadas. Ondas de calor podem ocorrer em momentos específicos da estação.
César Soares, meteorologista da Climatempo, explica: “A previsão geral para o outono indica uma estação dentro da normalidade, tanto em relação às temperaturas quanto aos volumes de chuva.” Ou seja, de forma geral, as condições devem ficar próximas do padrão esperado para essa época do ano.
“No entanto, há uma tendência gradual de desenvolvimento do fenômeno El Niño, o que pode favorecer alguns períodos de calor ao longo da estação. Por causa disso, ondas de calor ainda podem ocorrer em determinados momentos do outono”, complementa.
Calor intenso marca primeiros dias da estação
As temperaturas máximas podem se aproximar ou ultrapassar 35°C no noroeste gaúcho já nos primeiros dias do outono. Parte do Mato Grosso do Sul também deve registrar tardes muito quentes.
São Paulo terá temperaturas entre 27°C e 33°C nos primeiros dias da estação. A chuva aparece de forma irregular, sem grandes volumes.
O Rio de Janeiro manterá máximas perto dos 29°C. As frentes frias previstas entre abril e maio trarão mais precipitação do que queda térmica.
A frente fria desta quarta-feira (18/03) leva chuva para Curitiba. O ar frio não tem força suficiente para manter as temperaturas mais baixas por muito tempo. O calor retorna rapidamente nas semanas seguintes.
Redução térmica prevista apenas para maio
Abril apresentará características mais próximas do verão. Tempo abafado, céu carregado no período vespertino e pancadas de chuva devem predominar.
Os dias tornam-se mais curtos em maio. A intensidade solar diminui e as noites começam a apresentar temperaturas mais baixas, particularmente no Sul e nas áreas de maior altitude do Sudeste.
As primeiras geadas nas regiões serranas estão previstas para maio. Frio mais acentuado chegará apenas na transição para junho, de maneira pontual.
No Centro-Oeste, as primeiras quedas mais perceptíveis de temperatura devem ocorrer somente a partir de junho. A transição para o inverno ainda será de forma pontual.
Sul terá chuva abaixo da média
A região Sul inicia o outono com temperaturas acima do esperado. A precipitação ficará abaixo da média histórica entre abril e junho.
A tendência aponta para menos chuva em toda a região, principalmente no Paraná e em Santa Catarina. O calor deve continuar predominando, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Porto Alegre terá tardes quentes e sensação de abafamento na semana seguinte. Um alívio mais consistente só deve aparecer em maio, com a diminuição das horas de sol.
Florianópolis terá um outono com temperaturas superiores ao normal e menor volume de precipitações. A passagem de frentes frias poderá ocasionar episódios isolados de chuva mais forte.
Sudeste com precipitações abaixo do esperado
O Sudeste terá um outono com menor volume de chuvas. As temperaturas permanecerão elevadas na maior parte do território.
São Paulo e Minas Gerais devem registrar precipitações abaixo do esperado. Rio de Janeiro e Espírito Santo terão volumes de chuva próximos ao padrão histórico.
Quedas pontuais de temperatura podem acontecer com a chegada de ar frio. Áreas elevadas como a Serra da Mantiqueira e o sul de Minas Gerais devem registrar os primeiros nevoeiros nas próximas semanas.
Belo Horizonte registrará chuvas em abril, porém em quantidade inferior ao esperado. As temperaturas permanecerão acima da média. A transição para o período seco ocorrerá de forma gradual.
Vitória seguirá cenário similar: calor acima do normal e chuva dentro do esperado. As frentes frias que atingem o litoral têm efeitos rápidos, com retorno do calor logo em seguida.
Centro-Oeste na transição entre estações
O Centro-Oeste inicia o outono na transição característica entre a estação chuvosa e a seca. A redução das chuvas a partir de abril é esperada e deve ocorrer dentro do padrão na maior parte da região.
Goiás e Mato Grosso tendem a registrar volumes próximos do normal. Mato Grosso do Sul pode ter menos precipitação ao longo do trimestre.
Brasília ainda registra nesta semana período mais chuvoso, com pancadas frequentes até sexta-feira. A partir do outono, a tendência é de redução das chuvas e início do período seco, que deve se intensificar ao longo de maio.
Cuiabá enfrentará calor persistente no começo da estação. Apesar das chuvas ainda frequentes neste momento, a tendência é de diminuição gradual da precipitação nos próximos dias.
A expectativa é de menor avanço de frentes frias pelo Centro-Oeste durante o trimestre. Esse fator contribui para a manutenção do calor por períodos mais prolongados.
Áreas rurais do Mato Grosso do Sul podem enfrentar avanço de queimadas já nas primeiras semanas de maio. A combinação de tempo seco e temperaturas elevadas favorece esse cenário.
Nordeste apresenta dois cenários distintos
A região Nordeste deve experimentar um outono caracterizado por dois cenários diferentes. Na maior parte da região, a tendência é de redução da chuva entre abril e junho.
A situação é mais evidente na Bahia, no Rio Grande do Norte e na Paraíba. As temperaturas devem seguir acima do normal em toda a região.
No extremo norte, especialmente no Maranhão e no norte do Piauí, o cenário é oposto. A previsão é de mais chuva por causa da atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mais ao sul.
O calor pode ser um pouco mais amenizado na faixa norte. A maior presença de nuvens e chuva ajuda a segurar as máximas.
Recife deve manter o padrão típico da estação. Sol pela manhã, aumento de nuvens à tarde e pancadas isoladas no fim do dia devem predominar.
Salvador começa o outono ainda com calor. A tendência é de redução das chuvas ao longo das próximas semanas. As pancadas ficam cada vez menos frequentes entre abril e maio, marcando a transição para um período mais seco.
São Luís aparece como exceção. A capital deve ter um outono mais chuvoso, com pancadas frequentes e volumes acima do normal, principalmente em abril.
Norte atravessa período mais chuvoso
A região Norte entra no outono no período mais chuvoso do ano. A tendência é de chuva acima do normal na maior parte dos estados entre abril e junho, dentro do padrão esperado para a época.
As temperaturas também devem permanecer acima da média em quase toda a região. O calor será ainda mais intenso em áreas do sudeste do Pará e do oeste do Tocantins.
As exceções de chuva ficam por conta do Amapá, centro-norte de Rondônia, centro-sul do Tocantins e áreas do sul do Amazonas e do Pará. Nessas localidades, os volumes devem ficar próximos do normal.
Belém atravessa um dos períodos mais chuvosos do ano, com pancadas praticamente todos os dias. Esse ritmo deve continuar em abril, com redução mais gradual apenas a partir de maio.
Manaus terá outono marcado por chuva frequente e calor persistente. Os temporais, muitas vezes desde a madrugada, devem seguir ao longo do trimestre.
As precipitações podem contribuir para a elevação do nível dos rios. Esse fator é importante para comunidades ribeirinhas e para o transporte na região.
Macapá deve ter chuva dentro do padrão, mas ainda frequente, com temperaturas elevadas. Esse cenário tende a se manter ao longo de abril, com possível diminuição mais perceptível apenas entre maio e junho.




