Itaipu ativa painéis solares sobre reservatório com potencial de gerar 14 mil MW extras

Estrutura com 1.584 módulos fotovoltaicos opera como laboratório desde quarta-feira na divisa entre Brasil e Paraguai

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A Itaipu Binacional colocou em operação painéis solares flutuantes sobre o reservatório da hidrelétrica. A estrutura foi instalada nesta quarta-feira (22/04) na divisa entre Brasil e Paraguai. O sistema funciona como laboratório para avaliar a viabilidade de expansão futura dessa tecnologia.

Técnicos brasileiros e paraguaios montaram 1.584 painéis fotovoltaicos sobre o lago desde o fim de 2025. A estrutura ocupa menos de 10 mil m² e foi posicionada a 15 metros da margem paraguaia. A profundidade no local atinge aproximadamente 7 metros.

O reservatório possui cerca de 1,3 mil km² de perímetro. A extensão alcança quase 170 km desde a barragem até o extremo oposto. A largura média entre as margens é de 7 km.

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A instalação, chamada de “ilha solar”, gera 1 MWp. Esse volume é capaz de suprir 650 residências. A produção destina-se exclusivamente ao consumo interno da usina, sem comercialização ou integração direta com a rede de geração hidrelétrica.

Potencial teórico equivale a nova usina

Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, apontou em uma entrevista para a Agência Brasil o potencial teórico da tecnologia. “Se falarmos em um potencial bem teórico, uma área de 10% do reservatório, coberta com placas solares, seria o mesmo que outra usina de Itaipu, em termos de capacidade de geração.”

A área inundada do Rio Paraná movimenta turbinas geradoras de até 14 mil MW de energia elétrica. Essa mesma área pode ser aproveitada para gerar eletricidade adicional a partir de painéis solares instalados sobre o espelho d’água.

Estimativas preliminares indicam que seriam necessários pelo menos quatro anos de instalação para atingir geração solar de 3 mil MW. Esse volume corresponde a 20% da capacidade instalada da hidrelétrica atualmente.

O investimento total alcançou US$ 854,5 mil, equivalente a cerca de R$ 4,3 milhões na cotação atual. As obras foram executadas por consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (brasileira) e Luxacril (paraguaia), vencedoras da licitação.

Engenheiros analisam a interação das placas com o ambiente. Permanecem em estudo os eventuais impactos no comportamento de peixes e algas. A temperatura da água também é monitorada. A influência dos ventos sobre o desempenho dos painéis está sendo avaliada. A estabilidade da estrutura, dos flutuadores e da ancoragem com o solo segue em análise.

A expansão da geração de energia elétrica por painéis solares flutuantes dependerá de atualização no Tratado de Itaipu. O documento foi assinado em 1973 entre Brasil e Paraguai. Ele viabilizou a obra de engenharia compartilhada.

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