PF prende banqueiro Daniel Vorcaro em nova fase da Operação Compliance Zero

Nova fase foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, em sua primeira ação desde que assumiu a relatoria do caso

Por Redação TMC | Atualizado em
Daniel Vorcaro gesticula em foto de perfil
Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (4/03) o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A ação integra a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no início desta manhã.

A nova fase foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação desde que assumiu a relatoria do caso. O inquérito foi redistribuído a Mendonça em fevereiro, após o ministro Dias Toffoli deixar o caso em meio a suspeitas de ligação com o banqueiro.

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Vorcaro já estava em prisão domiciliar e usava tornozeleira eletrônica. No início desta quarta, ele foi detido em sua residência em São Paulo e encaminhado à Superintendência da Polícia Federal na capital paulista.

A terceira fase da operação está cumprindo outros três mandados de prisão preventiva, sendo um deles o de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Há ainda 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Segundo a PF, as investigações contaram com o apoio do Banco Central (BC).

De acordo com a PF, a ação tem como objetivo de “investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A operação teria como gatilho apuração da PF, que teria encontrado provas de que Vorcaro estaria obstruindo as investigações. O banqueiro teria monitorado jornalistas, utilizando policiais aposentados nesta tarefa.

A operação desta quarta também afastou servidores do Banco Central por ordem judicial. Um deles é o ex-diretor de fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza, que autorizou Vorcaro a comprar o Banco Maxima, que acabou virando o Master.

A investigação sobre o banqueiro e o Master começou em novembro de 2025, quando a Justiça Federal de Brasília ordenou a primeira fase da operação. O banqueiro havia ficado preso durante 11 dias naquela ocasião.

Sem citar nomes, a Polícia Federal revelou que foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões “com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”.

Histórico

A defesa de Vorcaro conseguiu transferir a investigação para o Supremo após a prisão em novembro. O inquérito passou a ser relatado por Toffoli.

Leia mais: Ministro André Mendonça, do STF, torna facultativo depoimento de Daniel Vorcaro na CPI

O caso gerou atritos constantes com a Polícia Federal durante a relatoria de Toffoli. O ministro deixou a investigação em fevereiro.

A saída de Toffoli ocorreu depois que a Polícia Federal entregou um relatório ao Supremo. O documento continha menções ao nome do ministro e conversas dele com Vorcaro.

Defesa de Vorcaro nega acusações

Sérgio Leonardo, Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, advogados de Daniel Vorcaro, emitiram nota nesta manhã para negar as acusações imputadas contra o banqueiro.

“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”, afirmaram.

“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, complementaram Sérgio Leonardo, Pierpaolo Bottini e Roberto Podval.

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