Quem é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso pela Polícia Federal

Executivo com 20 anos de experiência no mercado financeiro é acusado de autorizar compra irregular de ativos do banco Master

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Rafael Lavenère/BRB
Foto: Rafael Lavenère/BRB

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (16) Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A prisão ocorreu na nova fase da Operação Compliance Zero. O executivo responde por suspeita de autorizar a compra de ativos do banco Master sem seguir as diretrizes de compliance da instituição pública.

Quem é Paulo Henrique Costa?

O ex-presidente do BRB é formado em administração de empresas e possui especializações na área financeira. No currículo, aponta mais de duas décadas de experiência no mercado financeiro brasileiro.

Antes de assumir o comando do BRB, Costa atuou na Caixa Econômica Federal por 18 anos. Na instituição federal, chegou ao cargo de vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital. A posição colocava o executivo entre os principais nomes da gestão da Caixa.

Indicação política

Em 2019, Paulo Henrique Costa foi indicado para presidir o BRB pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A nomeação seguiu o padrão de indicações políticas para o comando do banco público controlado pelo governo distrital.

Durante sua gestão à frente do BRB, Costa conduziu a tentativa de aquisição do banco Master pela instituição. A operação, no entanto, foi vetada pelo Banco Central e é investiga pela Polícia Federal. Há suspeitas de fraude na negociação. O Master acabou liquidado após o veto da autoridade monetária.

Afastamento do cargo

De acordo com a Polícia Federal, Paulo Henrique Costa é suspeito de não seguir práticas de governança corporativa. A principal acusação: permitir negócios com o banco Master sem lastro, ou seja, garantias financeiras que dão segurança às operações bancárias. Na prática, segundo a investigação, isso significa que o executivo teria autorizado transações arriscadas que colocaram em risco recursos públicos do BRB.

O ex-presidente foi afastado do comando do banco em novembro de 2025, após decisão judicial na primeira fase da Operação Compliance Zero. A saída ocorreu em meio às investigações sobre irregularidades na tentativa de compra do Master.

Operação da PF

Nesta quinta-feira (16), a Polícia Federal cumpre sete mandados no Distrito Federal e em São Paulo. A nova fase da operação mira aprofundar as investigações sobre a tentativa de aquisição do Master pelo BRB.

Segundo apuração da PF, mensagens trocadas entre os envolvidos na negociação revelam pressões para concluir o negócio. O veto do Banco Central à operação desencadeou problemas financeiros para o BRB. A instituição pública enfrenta dificuldades desde então e busca soluções para estabilizar suas contas.

Por que isso importa

O caso expõe os riscos de operações bancárias sem os devidos controles de governança. O BRB é um banco público que movimenta recursos dos contribuintes do Distrito Federal. Irregularidades na gestão podem comprometer a saúde financeira da instituição e, consequentemente, afetar serviços públicos e investimentos no DF. A investigação busca identificar se houve influência política indevida na tentativa de compra do Master — prática que, se confirmada, representa desvio de finalidade em instituição financeira pública.

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