A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (27/05) uma nova etapa da Operação Sem Desconto com foco em preservar o patrimônio de suspeitos. Segundo as investigações, parte dos alvos estaria vendendo imóveis e bens de luxo por valores abaixo do mercado para se desfazer dos ativos antes do encerramento das apurações.
A ação, conduzida em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), alcança três frentes simultâneas: a capital federal, a cidade de São Paulo e o município de Garanhuns, no interior de Pernambuco.
As apurações apontam que o esquema cobrou descontos irregulares de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ao longo de cinco anos, entre 2019 e 2024. O volume total identificado chega a R$ 6,3 bilhões.
Cada núcleo regional tem um perfil distinto. Na capital federal, as investigações recaem sobre duas associações que firmaram acordos de cooperação com o INSS — uma delas em 2021 e a outra em 2023. Segundo a PF, as entidades usaram esses convênios para realizar cobranças não autorizadas nos benefícios de segurados.
Em São Paulo, o foco está em um grupo chamado pelos investigadores de Golden Boys, formado por quatro entidades que atuavam de forma coordenada na estrutura do esquema: Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, AASAP e ANDAPP.
Já em Garanhuns, as investigações concentram-se em servidores e ex-servidores do próprio INSS. Entre os alvos está Rogério Soares de Souza, ex-diretor e ex-superintendente regional do Nordeste da autarquia, apontado pelas investigações como ligado à entidade ABAPEN. Essa associação teria recebido R$ 70,9 milhões em descontos ao longo de 2024. Outro nome citado é Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS na cidade.
Leia mais: Tarcísio cobra explicações de Flávio sobre dinheiro do Banco Master
Quem são os investigados
As investigações da PF e da CGU identificaram ao menos três grupos de atuação dentro do esquema.
O primeiro reúne pessoas ligadas à administração das associações e à articulação do esquema: Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho.
O segundo grupo é formado por operadores e intermediários da estrutura financeira: Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber, Alexandre Caetano e Carlos Henrique da Rocha Gonçalves.
O terceiro concentra responsáveis pela gestão das associações investigadas: Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos.
As investigações também indicam que R$ 24,7 milhões foram transferidos para empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS. Parte dos investigados já cumpre medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Para aposentados e pensionistas, o caso reforça a importância de verificar regularmente o extrato de benefício no portal Meu INSS para identificar descontos não reconhecidos.




