Preço três vezes menor leva pacientes a buscar tirzepatida paraguaia na Justiça

Cinco liminares já foram concedidas para importar o medicamento proibido pela Anvisa; apreensões em 2026 superam 12 vezes o volume de todo o ano anterior

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(Foto: Reprodução / Freepik)

A diferença de preço entre a tirzepatida vendida no Paraguai e a versão autorizada no Brasil virou combustível para uma disputa judicial. Ao menos 14 ações tramitam na Justiça Federal pedindo autorização para importar o medicamento. Em cinco delas, juízes já concederam liminares favoráveis aos pacientes, de acordo com o site G1.

O remédio paraguaio chega a custar R$ 460 na dose mais alta. O Mounjaro, única versão com registro no Brasil, sai por cerca de R$ 1,4 mil mensais na dose mais baixa. A diferença representa aproximadamente dois terços do valor cobrado no país.

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baniu nove marcas de tirzepatida fabricadas no Paraguai. Nenhuma delas passou por avaliação sanitária brasileira. Ainda assim, parte do Judiciário abriu exceções.

Segundo o G1, as liminares identificadas estão concentradas no Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul. As decisões exigem receita médica e compra em estabelecimento com alvará sanitário da agência paraguaia.

A advogada Priscilla Ruschel, que representa dois pacientes com decisões favoráveis, argumenta que a legislação distingue uso comercial de uso pessoal. Segundo ela, “o registro na Anvisa é necessário para integrar a cadeia comercial. Para uso pessoal, essa exigência não se aplica”.

Os pedidos nas ações cobrem de 6 a 12 meses de tratamento.

Enquanto a briga judicial avança, o contrabando também cresce. A Receita Federal apreendeu 414 mil unidades de medicamentos GLP-1 irregulares entre janeiro e maio de 2026. O número é mais de 12 vezes superior ao total registrado em 2025, quando foram retidas 33 mil unidades. O Paraná concentra a maior parte das apreensões de canetas emagrecedoras, conforme a Receita Federal.

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Riscos sem rastreabilidade

O sistema de farmacovigilância da Anvisa registra 545 notificações de reações adversas ao uso de tirzepatida desde a aprovação do medicamento no Brasil, em setembro de 2023. Outras 44 mortes estão sendo investigadas com possível associação ao uso do remédio. A agência não detalhou quantos desses casos envolvem versões paraguaias.

Um dos pontos centrais do debate é a cadeia de frio. A tirzepatida precisa ser mantida entre 2°C e 8°C ao longo de toda a produção e transporte. Produtos vindos do Paraguai sem controle sanitário brasileiro não têm essa rastreabilidade garantida.

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