O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) encaminhe à Corte todo o conteúdo dos celulares apreendidos na investigação sobre supostas fraudes bilionárias do Banco Master.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (12/02), um dia depois da divulgação de que a PF havia sugerido seu afastamento do processo com base em diálogos encontrados no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, onde o nome do ministro é mencionado.
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Além do conteúdo dos dispositivos, o magistrado solicitou que a corporação envie “laudos periciais sobre o referido material, incluindo-se dados telemáticos, informáticos e telefônicos” e “outros elementos de prova já documentados, mas que ainda não estão encartados neste inquérito”.
A decisão acontece em momento delicado para o STF. Ministros da Corte avaliam que o tribunal enfrenta uma crise significativa devido aos desdobramentos da investigação do caso Master.
Mesmo sob pressão para deixar a relatoria do processo, Toffoli tem informado a auxiliares que não pretende abandonar o caso. Uma resposta formal deve ser enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, ainda nesta semana.
Em nota, o gabinete do ministro afirmou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”.
A expectativa é que, independentemente da resposta de Toffoli, o ministro Fachin negue a arguição de suspeição, pois a PF não teria legitimidade legal para apresentar tal requerimento.
Investigação e conexões empresariais
A Polícia Federal apresentou a Fachin um relatório contendo conversas em que Toffoli e Vorcaro combinam encontros, com menções a festas. O documento também inclui diálogos entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, nos quais discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro do STF.
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Os irmãos José Eugenio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli compartilharam o controle do resort Tayayá, no Paraná, com o fundo de investimentos Arleen durante quatro anos, entre 2021 e 2025. O fundo integrava uma rede controlada pelo Banco Master.
Em comunicado oficial, Toffoli confirmou ter sido sócio do resort, mas negou amizade com os envolvidos e afirmou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
Uma das linhas de investigação da PF estaria relacionada à possibilidade de repasse de recursos ao ministro após seus irmãos venderem sua participação no resort para o fundo Arleen, que fazia parte de uma estrutura controlada pelo Banco Master.
