A Confederação Nacional da Indústria calculou que a tributação sobre compras internacionais de pequeno valor evitou R$ 4,5 bilhões em importações. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (22/04). A medida manteve R$ 19,7 bilhões circulando na economia nacional.
O estudo comparou o volume de importações projetado pela confederação para 2025 com os números registrados no ano passado. A base de cálculo utilizou o valor médio das remessas em 2025.
A entidade empresarial apresentou dados que mostram redução nas importações de produtos estrangeiros de baixo valor após a implementação do tributo. O imposto aumentou simultaneamente a arrecadação da União.
Redução no volume de encomendas internacionais
O número de encomendas internacionais recuou 10,9% entre 2024 e 2025. Foram registradas 179,1 milhões de remessas para o Brasil em 2024. O número caiu para 159,6 milhões em 2025.
A queda foi mais acentuada no primeiro semestre de 2025 comparado ao primeiro semestre de 2024, antes da entrada em vigor da medida. O recuo atingiu 23,4% no número de remessas.
A projeção da indústria indicava que o número chegaria a mais de 205 milhões de pacotes em 2025 sem a taxação.
A arrecadação federal com importações de pequeno valor saltou de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025.
A cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 começou a valer em agosto de 2024. A regra foi implementada dentro do programa Remessa Conforme, criado para regulamentar o comércio eletrônico internacional. O imposto é cobrado no momento da compra.
Proteção à indústria nacional
A tributação foi estabelecida para reduzir a concorrência desleal dos produtos importados, principalmente da China, segundo a CNI. Produtos importados de baixo valor frequentemente entravam no país sem pagar todos os tributos antes da mudança. Itens nacionais eram taxados normalmente. A situação gerava concorrência desigual entre produtos nacionais e estrangeiros.
“O objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que nós possamos manter empregos e gerar renda”, afirmou em nota Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.
“Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”, acrescentou.
A medida afetou consumidores que compram produtos de baixo valor em plataformas internacionais. Os consumidores passaram a pagar o tributo nas compras internacionais de até US$ 50. A indústria nacional recebeu proteção contra a concorrência desleal de produtos estrangeiros que anteriormente entravam no país sem tributação adequada.
A tributação se aplica em todo o território brasileiro para compras internacionais de pequeno valor realizadas por meio do comércio eletrônico. As plataformas internacionais precisam informar e recolher os impostos no ato da venda.
A CNI informou que a tributação também inibiu práticas como subfaturamento, divisão de pedidos e uso indevido de isenções. Essas práticas eram comuns antes da taxação. O novo sistema aumenta o controle e reduz irregularidades.
A medida proporcionou maior equilíbrio entre produtos nacionais e estrangeiros, segundo a CNI. O principal efeito para a indústria é a proteção da produção nacional, com manutenção de empregos e geração de renda no país, informou a confederação.




