O vereador Rubinho Nunes (União Brasil) se envolveu em confronto físico com manifestantes durante protesto de estudantes e funcionários das universidades estaduais paulistas, na tarde desta segunda-feira (11/05). O parlamentar foi ao hospital com suspeita de fratura no nariz.
O ato reuniu alunos e trabalhadores da USP, Unesp e Unicamp em frente ao prédio da Secretaria Estadual da Educação, na República, Centro de SP. O grupo reivindicava aumento de bolsas, reformas em residências estudantis e investimentos na infraestrutura dos campus.
Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, ambos do União Brasil, provocaram os manifestantes durante o ato. Segundo relatos, Rubinho gritou “Vai estudar, seu vagabundo, seu bosta, eu pago tua faculdade” para os estudantes.
A situação escalou para agressões físicas. Rubinho trocou socos e chutes com participantes do protesto. Adrilles Jorge também se envolveu no confronto e afirmou ter levado dois chutes.
Após a confusão, Rubinho procurou atendimento médico. O vereador, que é pré-candidato a deputado federal, informou ter suspeita de fratura nasal.
Corregedoria vai apurar conduta
A vereadora Luana Alves (Psol) protocolou representação na Corregedoria da Câmara Municipal contra os dois parlamentares. Segundo ela, “os vereadores abandonaram qualquer postura institucional para atuar de forma ostensivamente provocativa e confrontacional”.
A deputada estadual Ediane Maria (Psol), ligada ao MTST, criticou a ação dos vereadores. “Rubinho Nunes é um baderneiro. Ele não quer solução para o que está acontecendo na USP. O negócio dele é provocar e arranjar briga para se fazer de coitado”, afirmou.
A vereadora Luna Zarattini (PT) também condenou a atitude. “Gente que ganha mais de R$ 20 mil por mês para fazer cortes para a internet e provocar estudantes. É extremamente vergonhoso”, disse.
Luana Alves destacou o contraste entre os salários dos vereadores e as demandas dos estudantes. “Eles vão para provocar estudantes, muitos deles menores de idade, que querem um aumento de menos de R$ 100 na bolsa para conseguirem permanecer na universidade”, declarou.
Contexto do protesto
A manifestação ocorreu horas depois de uma operação da Polícia Militar na madrugada para desocupar a reitoria da USP. A PM utilizou gás para dispersar os ocupantes.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), “houve uma briga generalizada no local e a confusão foi contida pela PM”. Quatro alunos foram detidos e levados ao 7º Distrito Policial.
A reitoria da USP, comandada por Aluísio Segurado, emitiu nota repudiando a violência. “A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática”, informou a instituição.




