O Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, se tornaram o principal assunto de Brasília nos últimos meses. O caso, que ameaça abalar os alicerces da capital federal, já envolveu políticos de diferentes pontos do espectro ideológico, trouxe uma sombra sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e pode se tornar decisivo para as eleições deste ano.
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Cronologia do caso
Acompanhe os desdobramentos que levaram à crise do Banco Master, envolvendo aportes milionários em resorts, negativas do Banco Central e o subsequente escândalo no Judiciário:
2021: O Início das Movimentações Financeiras
- 27 de setembro: O fundo FIP Arleen ingressa na sociedade do resort Tayayá, adquirindo 50% da participação da Maridt S.A. (empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli) por R$ 6,6 milhões.
- Outubro e Novembro: O investidor Fabiano Zettel injeta R$ 20 milhões no fundo Leal; simultaneamente, os recursos são repassados ao FIP Arleen para investimentos no Tayayá.
2024: Pressões e Cobranças por WhatsApp
- Maio: Mensagens revelam Daniel Vorcaro cobrando Zettel sobre repasses de R$ 15 milhões ao Tayayá: “Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro.
- Julho: Zettel realiza o aporte de R$ 15 milhões no fundo Leal, mas o montante fica retido sem transferência imediata ao FIP Arleen.
- Agosto: Vorcaro volta a questionar o paradeiro do dinheiro e menciona problemas gerados pelo atraso nos pagamentos do resort.
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2025: Da Tentativa de Expansão à Intervenção Federal
Primeiro Semestre: O Imbróglio do BRB
- Fevereiro: O fundo Leal finalmente integraliza os R$ 15 milhões no FIP Arleen. No mesmo período, Dias Toffoli formaliza sua saída da sociedade do resort.
- 28 de março: O BRB (Banco de Brasília) anuncia oficialmente a intenção de compra do Banco Master.
- 17 de junho: O CADE aprova a aquisição do Master pelo BRB.
Segundo Semestre: Vetos e Prisões
- 19 de agosto: A CLDF aprova a compra pelo BRB, apesar da resistência da oposição (14 votos a 7).
- 3 de setembro: Em decisão crucial, o Banco Central veta a venda do Master para o banco estatal brasiliense.
- 17 de novembro: Enquanto o Grupo Fictor anunciava a compra do Master por R$ 3 bilhões, Daniel Vorcaro é preso pela Polícia Federal em São Paulo.
- 18 de novembro: O Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Dezembro: O Embate no Judiciário
- 2 de dezembro: O ministro Dias Toffoli assume a relatoria no STF e impõe sigilo absoluto sobre as investigações.
- 11 de dezembro: Vem a público o contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Marci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
- 22 a 27 de dezembro: Crise institucional entre STF e Banco Central. A Febraban sai em defesa da autoridade monetária após Toffoli manter ordens de acareação entre diretores do BC e Vorcaro.
- 30 de dezembro: A PF realiza oitivas separadas e acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB; o diretor do BC é dispensado do depoimento presencial.
2026: O Rombo Bilionário e a Queda do Relator
- 14 de janeiro: A Operação Compliance Zero é deflagrada, cumprindo 42 mandados e bloqueando R$ 5,7 bilhões em bens.
- 22 a 25 de janeiro: O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) inicia o ressarcimento de clientes e admite a necessidade de cobrir um rombo de R$ 50 bilhões.
- 11 de fevereiro: A PF identifica mensagens de 2022 que ligam diretamente Vorcaro a Dias Toffoli, sugerindo proximidade entre o banqueiro e o julgador.
- 12 de fevereiro: Sob forte pressão do Congresso e após revelações da PF, Dias Toffoli deixa a relatoria do caso. O STF, em nota, nega suspeição e valida os atos anteriores do ministro, alegando colaboração com os órgãos de controle.
- 4 de março: Vorcaro foi preso pela segunda vez, na terceira fase da Operação Compliance Zero.
- 13 de março: Segunda Turma do STF decide por manter a prisão do banqueiro.




