Brasil renova pedido de extradição de Zambelli à Itália

AGU, MRE e Secretaria de Justiça entregaram nova manifestação em 25 de junho; Itália já negou extradição no caso do CNJ em maio de 2026

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Defesa confirma ataques no presídio de Rebibbia e transferência para outra cela. Parlamentar cumpre pena de dez anos por invasão ao sistema do CNJ.. (Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

O governo brasileiro entregou, em 25 de junho de 2026, um novo documento à Justiça italiana para insistir na extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O pedido diz respeito à condenação dela por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, crime ocorrido em 29 de outubro de 2022, véspera do segundo turno das eleições presidenciais.

O material foi elaborado em conjunto pela Advocacia-Geral da União (AGU), pela Secretaria Nacional de Justiça, pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). O conteúdo do documento está sob sigilo, tramitando, segundo a AGU, “sob regime de confidencialidade perante as autoridades competentes da República Italiana”.

Condenações acumuladas

No episódio de outubro de 2022, Zambelli perseguiu e apontou uma arma para um homem no bairro dos Jardins, em São Paulo. O segurança que a acompanhava efetuou um disparo e foi preso pela Polícia Civil. O STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu o julgamento do caso em agosto de 2025 e fixou pena de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto. O relator foi o ministro Gilmar Mendes, que em seu voto pela condenação afirmou: “O porte de arma de fogo concedido à acusada volta-se à sua defesa pessoal, razão pela qual a portadora não pode adentrar com o armamento em locais públicos, tampouco conduzi-lo ostensivamente, salvo, evidentemente, se necessário para assegurar sua própria defesa ou de terceiros”.

Zambelli também responde por outro processo. Em maio de 2024, o STF a condenou a dez anos de prisão pela invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

A negativa italiana e o argumento de imparcialidade

Em maio de 2026, a Justiça italiana recusou o pedido de extradição referente ao caso do CNJ. Segundo a decisão, há, nas palavras do documento obtido pela Folha de S.Paulo, “múltiplos elementos que levam a duvidar da imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal”. Os juízes italianos apontaram a dupla função do ministro Alexandre de Moraes, integrante da Primeira Turma do STF e, ao mesmo tempo, vítima do crime julgado, como razão central para a recusa.

A Corte de Apelação italiana havia produzido duas sentenças favoráveis à extradição, uma no fim de março e outra em meados de abril de 2025. Mesmo assim, a decisão final de maio foi contrária ao pedido brasileiro.

Fuga e detenção em Roma

Zambelli deixou o Brasil em junho de 2025 e passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira. Ela foi localizada e detida pelas autoridades italianas no fim de julho de 2025, em Roma. A nova manifestação entregue em 25 de junho de 2026 é a resposta do governo federal à negativa italiana e busca abrir caminho para a extradição pelo caso da arma, processo distinto do que motivou a recusa em maio.

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