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Jamil Chade
Jamil Chade Mais sobre o autor

Nome de referência no jornalismo internacional, Jamil Chade é jornalista e escritor, com vasta experiência em coberturas globais. Como correspondente internacional, analisa as forças que regem a política mundial, com foco especial nas Nações Unidas e nos temas urgentes que definem as relações entre as grandes potências.

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Trump criou o Conselho da Paz, mas discurso foi de guerra

Organização foi criada com assinaturas dos EUA, Barein e Marrocos, sem participação de aliados importantes como Reino Unido, França e Brasil durante Fórum Econômico Mundial

Por Jamil Chade | Atualizado em
Donald Trump
Câmera Fotográfica Trump criticou as atrações que tocarão no Show do Intervalo do Super Bowl. (Foto: Denis Balibouse/Reuters)

Donald Trump criou oficialmente o Conselho da Paz nesta quinta-feira (22/01) durante cerimônia realizada em Davos, na Suíça. O evento contou com a presença de aproximadamente 20 líderes mundiais, incluindo o presidente argentino Javier Milei e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, mas foi marcado pela ausência de importantes aliados ocidentais como Reino Unido e França.

A formalização da nova organização internacional ocorreu por volta das 8h13, durante o Fórum Econômico Mundial, com a assinatura de documentos por Trump e representantes do Barein e Marrocos. O presidente americano foi o único a discursar, acompanhado apenas por membros de sua equipe como Marco Rubio, Steve Whitkov e Jared Kushner, enquanto os demais líderes presentes permaneceram em silêncio.

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O palco estava decorado com o logotipo da nova entidade, frases, banners e documentos preparados para assinatura. O brasão do Conselho apresenta elementos visuais semelhantes aos utilizados pela ONU, e o emblema do governo dos Estados Unidos estava visível em diversos pontos do local.

O Brasil também foi convidado e não estava presente, apesar de ter uma ministra brasileira lá em Davos. Ou seja, Brasil deliberadamente não participou, pelo menos por enquanto.

Trump descreveu o Conselho como um “projeto histórico” que permitirá que seus integrantes atuem em articulação com as Nações Unidas, destacando que vê “um potencial tremendo” na ONU.

O tratado constitutivo da organização estabeleceu que sua entrada em vigor ocorreria após a ratificação por apenas três países, o que foi concretizado durante a cerimônia com as assinaturas dos Estados Unidos, Barein e Marrocos. Tratados internacionais geralmente requerem a assinatura de 50% a 60% dos membros potenciais para garantir legitimidade.

O presidente francês Emmanuel Macron declarou não fazer parte da iniciativa. O Reino Unido, apesar de sua aliança estratégica com os EUA, também optou por não integrar o Conselho neste momento. O Brasil, embora convidado e com representação ministerial em Davos, não participou da cerimônia.

“Olha que curioso, o conselho é da paz, mas o discurso foi de guerra. O discurso foi ‘eu bombardeei aqui, eu matei ali, eu sequestrei ali, eu tomei aquela terra, etc. Mas olha, gente, é tudo pela paz, hein? Estou fazendo isso para garantir a paz, para garantir que vocês não briguem mais’.”

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