Os Estados Unidos e Israel executaram uma operação militar conjunta contra o Irã neste sábado (28/02). Explosões foram registradas em Teerã e em outras quatro cidades iranianas. O regime iraniano respondeu com lançamento de mísseis contra território israelense e instalações norte-americanas no Oriente Médio.
A ação militar coordenada alcançou diversos alvos em solo iraniano durante a madrugada. Agências de notícias reportaram que mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e instalações do líder supremo na capital. A agência estatal iraniana Fars informou que explosões também foram ouvidas em Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah.
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As autoridades iranianas determinaram o fechamento do espaço aéreo nacional. O regime iraniano reagiu de forma imediata. Mísseis foram lançados contra território israelense, onde sirenes de alerta foram acionadas para que a população buscasse abrigo.
Explosões e acionamento de sirenes de alerta foram reportados em Catar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes.
Objetivo declarado é destruir programa nuclear
O presidente norte-americano Donald Trump declarou que o objetivo da operação é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças. Militares dos Estados Unidos afirmam que a ação pode se estender por dias. O Pentágono classificou a operação como “fúria épica”.
“Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear.” “Este regime aprenderá em breve que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, disse Trump em um vídeo divulgado nas redes sociais.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que a operação visa “eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã”. Netanyahu declarou que a ação “criará condições para que o povo iraniano tome as responsabilidades do seu destino”.
Esta é a segunda vez em menos de um ano que os Estados Unidos atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas em apoio a Israel, que travava uma guerra contra o país.
Líder supremo não está em Teerã
Fontes disseram à Reuters que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, não está em Teerã, mas não há detalhes sobre seu paradeiro. A agência estatal iraniana IRNA afirmou que o presidente do país, Masoud Pezeshkian, está em segurança.
Trump incentivou a população iraniana a pressionar pela queda do regime dos aiatolás e instou militares a se renderem ou irão “enfrentar a morte certa”.
Não há informações até o momento sobre danos materiais, número de mortos e feridos resultantes da operação militar e da retaliação iraniana. Há relatos de que bombardeios atingiram áreas próximas da residência de Khamenei, mas seu paradeiro permanece desconhecido.
Ataque ocorre após negociações em Genebra
A operação ocorre após semanas de negociações entre os Estados Unidos e o Irã na tentativa de fechar um acordo que limite ou encerre o programa nuclear iraniano. A última reunião entre os dois países para discutir o programa nuclear ocorreu na quinta-feira (26/02), em Genebra.
Na ocasião, os enviados americanos avaliaram as negociações como positivas e acertaram de se encontrar na próxima segunda-feira (02/03).
Washington exige que Teerã interrompa o enriquecimento de urânio, por temer que o país desenvolva uma bomba nuclear. O governo iraniano sustenta que o programa tem fins pacíficos, voltados à produção de energia.
A imprensa americana informou que os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio a grupos armados no Oriente Médio. O Irã havia sinalizado que aceitava limitar o programa nuclear e estava disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções.
O governo iraniano prometeu uma resposta “feroz” a qualquer tipo de ataque dos EUA, mesmo que seja limitado, e já indicou que pode atingir bases militares americanas no Oriente Médio.
Estados Unidos ampliaram presença militar na região
Os Estados Unidos ampliaram sua presença militar no Oriente Médio nas últimas semanas com o envio dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford. As embarcações se somaram a navios de guerra e às bases militares já mantidas pelos norte-americanos na região.
Washington controla no mínimo 10 bases em países vizinhos ao Irã e mantém tropas em outras nove. Há ainda relatos do envio de aeronaves para a Europa e Israel.
O Irã, por sua vez, realizou exercícios militares conjuntos com Rússia e China. Imagens de satélite mostram também que o país tem fortificado e camuflado suas instalações nucleares.
Protestos contra regime foram reprimidos
A pressão americana sobre o Irã ganhou força no início do ano, após uma onda de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. O governo iraniano reagiu aos atos com forte repressão, deixando milhares de manifestantes mortos.
Na ocasião, Trump ameaçou o regime com uma ação militar caso a “matança” continuasse, mas os atos enfraqueceram diante da repressão brutal. O presidente dos EUA passou então a exigir um acordo nuclear, quando começaram as negociações.
Por volta do dia 20 de fevereiro, o Irã voltou a registrar protestos. Desta vez, de estudantes que retomavam o semestre estudantil. Teerã novamente advertiu os manifestantes a não ultrapassarem “limites”.
Economia iraniana enfrenta inflação acima de 40%
O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos. A medida foi adotada em 2018, quando Trump deixou um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.
Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump retomou uma política de pressão máxima contra o Irã. Em setembro, sanções também foram impostas pelas Nações Unidas, levando o governo iraniano a realizar reuniões para tentar evitar um colapso econômico.
A situação também foi agravada pelo conflito entre Irã e Israel, em junho. À época, forças israelenses e dos EUA realizaram ataques contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano.
A população passou a enfrentar inflação elevada, acima de 40% ao ano. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.
No fim de dezembro, o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo. A mídia iraniana afirmou que políticas recentes de liberalização econômica pressionaram a moeda local, levando a uma rápida desvalorização.
Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica neste mês.
Regime iraniano é comandado por Khamenei há mais de 30 anos
Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, em que a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder há mais de 30 anos.
O regime iraniano é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.
Relações entre Irã e EUA acumulam desavenças desde 1979
Irã e Estados Unidos acumulam desavenças desde 1979, quando a Revolução Islâmica implantou o regime dos aiatolás, que dura até hoje.
De lá para cá, os dois países trocaram uma série de hostilidades, com os EUA apostando em sanções econômicas e embargos comerciais para pressionar o Irã, principalmente para evitar que o país desenvolva armas e apoie grupos armados no Oriente Médio.
Durante o governo de Barack Obama, as relações tiveram certa estabilização, o que contribuiu para o acordo histórico de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano. Dois anos depois, no entanto, Trump retirou os EUA do tratado, ao afirmar que o Irã continuava em uma corrida armamentista e retomou sanções econômicas.
No início de 2020, os dois países viveram uma grande crise após o governo Trump lançar uma operação que resultou na morte do general Qassem Soleimani, principal figura da estratégia militar iraniana e muito próximo do líder supremo.
No ano passado, os EUA lançaram um ataque ao Irã em apoio a Israel para destruir instalações nucleares iranianas. O bombardeio resultou em um contra-ataque limitado contra uma base americana na região e em um acordo de cessar-fogo.
