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Brasil e EUA negociam acordo sobre terras raras para reduzir dependência da China

País possui 23% das reservas mundiais desses minerais estratégicos usados em tecnologias avançadas, segundo reportagem do Financial Times publicada neste domingo

Brasil e Estados Unidos iniciaram negociações para um possível acordo de cooperação envolvendo terras raras, grupo de 17 elementos metálicos essenciais para tecnologias avançadas. A informação foi divulgada pelo Financial Times (FT) neste domingo (18/01). As conversas buscam reduzir a dependência global da China, atual dominante no mercado desses minerais estratégicos.

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As negociações surgiram após Pequim implementar restrições às exportações desses recursos, uma resposta às tarifas comerciais impostas durante a administração Trump. Washington intensificou esforços para diversificar suas fontes de fornecimento, segundo reportagem do FT.

O Brasil detém aproximadamente 23% das reservas mundiais de terras raras, ocupando a posição de segundo maior detentor global, segundo dados citados pelo periódico. Esses minerais são fundamentais para itens de tecnologia, como veículos elétricos, equipamentos militares, celulares, turbinas eólicas e aparelhos de ressonância magnética.

A China controla atualmente cerca de 60% da extração global e mais de 90% da capacidade de processamento mundial desses recursos.

O potencial brasileiro enfrenta obstáculos como escassez de financiamento local, complexidades burocráticas e processos de licenciamento demorados. Apenas uma parte do território nacional foi mapeada em termos mineralógicos.

Os Estados Unidos sinalizam disposição para apoiar projetos brasileiros com financiamento público e suporte institucional. Um exemplo é o financiamento já aprovado para Serra Verde, única mina de terras raras em operação no Brasil, localizada em Goiás. Parte da produção desta mina havia sido destinada à China, mas esse contrato está próximo do vencimento.

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A aproximação entre os dois países ocorre após um período de reaproximação entre Donald Trump e o presidente Luis Inácio Lula da Silva. Uma autoridade indicou ao FT que o governo brasileiro demonstra abertura para negociar minerais considerados estratégicos.

As discussões ainda estavam em fase inicial ao término de 2025, com representantes americanos mantendo diálogos com entidades do setor mineral brasileiro e autoridades comerciais de ambos os países.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços confirmou ao Financial Times que o tema das terras raras integra o diálogo econômico entre Brasil e Estados Unidos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou recentemente que o bloco mantém negociações com o Brasil visando um acordo sobre matérias-primas estratégicas, incluindo lítio, níquel e terras raras.

A Casa Branca, quando procurada pelo jornal, não se manifestou sobre as negociações em andamento com o Brasil.

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