Comer em casa ou fora? Conta da alimentação ficou 7,2% mais cara no Brasil em 2026

Índice Prato Feito aponta alta na comparação com janeiro; consumidores buscam formas de gastar menos com alimentação

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O conceito de segurança alimentar abrange variedade, qualidade e quantidade de alimentos. / Foto: Freepik

O preço da alimentação virou uma das principais preocupações do orçamento das famílias brasileiras. Seja no supermercado, seja na hora de escolher onde almoçar fora, o consumidor sente no bolso a alta dos custos e precisa fazer escolhas para equilibrar as contas do mês.

O tema foi destaque no episódio desta semana do Dinheiro TMC, que discutiu quanto custa se alimentar no Brasil e as diferenças entre preparar as refeições em casa ou consumir fora do lar.

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Dados do Índice Prato Feito (IPF), desenvolvido pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio da ACSP, mostram que o preço médio nacional da refeição alcançou R$ 31,90 em junho de 2026. O valor representa uma alta de 7,2% na comparação com janeiro, mostrando como o almoço fora do lar passou a pesar mais no orçamento dos trabalhadores. Na prática, um trabalhador que almoça fora durante os 20 dias úteis do mês pode gastar cerca de R$ 638 apenas com essa refeição.

Para o economista e professor da FAC-SP, Rodrigo Simões, o aumento do custo da alimentação fora de casa tem levado muitos trabalhadores a buscar alternativas para preservar a renda.

“O aumento do número de pessoas que estão levando marmita para o trabalho tem crescido muito, porque o preço médio da refeição no dia a dia é maior do que o benefício médio oferecido pelas empresas, então isso tem corroído uma parte do orçamento do trabalhador e até mesmo da família.”

Além do almoço fora de casa, a ida ao supermercado também revela a mudança no padrão de consumo. Em São Paulo, a cesta básica acumulou alta de 4,77% no primeiro semestre de 2026, passando de R$ 1.285,92 para R$ 1.347,26, segundo levantamento do Procon-SP em parceria com o DIEESE.

Entre os produtos que mais pressionaram os preços estão itens presentes no dia a dia das famílias, como batata, cebola e feijão. A batata, por exemplo, teve uma das maiores altas acumuladas no período, enquanto o feijão carioquinha também registrou aumento expressivo, influenciado por fatores como redução de área plantada e impactos climáticos.

Para a economista e professora da FGV, Carla Beni, o consumidor percebe essa mudança porque o nível geral dos preços dos alimentos se mantém mais elevado, mesmo quando alguns produtos apresentam queda.

“A gente tem essa sensação real de que, quando vai ao supermercado e faz as compras, sempre o preço sobe. Alguns itens caíram, outros subiram, mas, na média, acaba ficando essa percepção de que eu gastei muito e levei pouca coisa no supermercado.”

A especialista também destaca que fatores externos continuam influenciando a alimentação, principalmente em produtos perecíveis, como frutas, verduras e legumes.

Mas, afinal, é mais barato comer em casa ou fora? A resposta passa por diferentes fatores. Preparar a própria comida geralmente reduz custos, já que elimina despesas como serviço, aluguel comercial e mão de obra. Por outro lado, a refeição fora de casa envolve toda uma estrutura que também sofreu aumento de preços.

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), João Galassi, explica que a pressão atinge tanto quem compra para cozinhar quanto quem depende de restaurantes, mas ressalta a diferença entre os modelos de consumo.

“O custo para você produzir dentro da sua casa e se alimentar dentro do lar sempre será mais em conta do que no restaurante, porque o restaurante oferece outras questões, como a experiência e os serviços. Quando você leva para a sua casa, você mesmo prepara e faz toda a gestão dos custos do consumo das famílias.”

Com a alimentação ocupando uma fatia maior da renda, decisões como cozinhar mais vezes, levar marmita ou escolher opções mais econômicas passaram a fazer parte da rotina de muitos brasileiros. O desafio é encontrar equilíbrio entre preço, praticidade e qualidade em um cenário em que a comida continua sendo uma das maiores despesas do orçamento doméstico.

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