O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira (27/01) a primeira reunião do ano, com expectativa de manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano. A decisão será anunciada na quarta-feira (28/01) e, se confirmada, marcará a quinta consecutiva sem alteração da Selic, que está no maior nível desde 2006.
Apesar dos sinais recentes de desaceleração da inflação, analistas avaliam que o cenário ainda exige cautela. Projeções de mercado indicam probabilidade superior a 80% de manutenção dos juros neste encontro, diante de uma combinação de inflação ainda acima do centro da meta, mercado de trabalho aquecido e atividade econômica sustentada por estímulos fiscais. O consenso é de que o início do ciclo de cortes deve ficar para março.
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A atenção do mercado está concentrada, sobretudo, no tom do comunicado do Copom. Especialistas divergem sobre a possibilidade de o Banco Central suavizar a linguagem adotada nas últimas decisões, consideradas mais duras. Há expectativa de ajustes no balanço de riscos, sem que isso represente, necessariamente, um compromisso explícito com cortes imediatos da taxa.
Economistas apontam que, embora o IPCA venha mostrando trajetória de convergência, a inflação de serviços segue pressionada, especialmente a intensiva em mão de obra. Além disso, o desemprego permanece em patamares historicamente baixos, o que reforça a leitura de uma economia ainda resiliente e limita movimentos mais rápidos de afrouxamento monetário.
O contexto eleitoral de 2026 também entra no radar do Copom. Analistas destacam que o ano tende a elevar a volatilidade dos mercados, com impactos potenciais sobre o câmbio e as expectativas de inflação. Nesse cenário, o ritmo e a intensidade de um eventual ciclo de cortes dependerão da evolução da atividade econômica, do comportamento da moeda e do quadro fiscal.
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A decisão desta semana ocorre em uma “superquarta”, com reunião simultânea do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos. O mercado também projeta manutenção dos juros norte-americanos, o que contribui para reforçar a postura cautelosa do Banco Central brasileiro neste início de ano.
