Novos documentos do caso Jeffrey Epstein, financista condenado por tráfico e exploração sexual de menores, revelaram sua participação ativa no início e crescimento da criptomoeda Bitcoin, chocando a comunidade de cripto e deixando alguns entusiastas “se sentindo doentes”.
O financista, que possuía entre seus “clientes” figuras influentes na política, economia e sociedade civil, investiu cerca de 3 milhões de dólares na startup Coinbase em 2014; hoje, ela vale 51 bilhões na moeda estadunidense e é uma das maiores do país no ramo de criptomoedas.
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A apuração do The Washington Post aponta que os documentos sugerem que Epstein – cujo contato ao mundo da tecnologia e ao Vale do Silício é comprovadamente vasto, dada a sua ligação a figuras como Bill Gates e Elon Musk – teria investido e monitorado ativos na Coinbase mesmo após 2008, ano em que se declarou culpado em um processo criminal de prostituição infantil.
O perfil “Crypto Bitlord”, na rede social X (antigo Twitter), falou sobre a descoberta do envolvimento de Epstein com a criptomoeda:
“75% do código de Bitcoins veio diretamente de investimentos de Jeffrey Epstein. Nós [comunidade Bitcoin] basicamente estivemos financiando um grupo de pedófilos da elite global desde 2015. Me sinto doente“, afirmou o perfil, que conta com quase 500 mil seguidores e é um dos mais procurados na rede para assuntos relacionados a criptomoedas.
Epstein foi acionista da Coinbase até fevereiro de 2018, conforme avaliações internas do Departamento de Justiça, e depois vendeu metade de suas ações por 15 milhões de dólares. Em 2019, o financista foi preso por tráfico e exploração sexual de menores, e no mesmo ano, foi encontrado morto em sua cela.
O que foi o “Caso Epstein”, e por que ele importa
Jeffrey Epstein foi um financista estadunidense notório por ter cultivado, com seu dinheiro e influência, um círculo social de elites em todo o mundo. O magnata viria a transformar seu enorme livro de contatos em uma rede global de tráfico e exploração sexual de menores de idade, e chegou a ser condenado por prostituição de uma menor em 2008.
Epstein era conhecido pelas festas que promovia em sua “ilha pessoal”. Participaram dessas festas celebridades, atletas, políticos, empresários, cientistas e pessoas notáveis de praticamente todas as áreas da sociedade, o que também dava a Epstein acesso e poder inimagináveis; tanto pelo contato direto entre ele e as elites, quanto pela conhecida chantagem que o financista realizava com seus clientes, que temiam que Epstein divulgasse o que fizeram na sua mansão caso não o obedecessem. A mansão do financista contava com uma enorme quantidade de câmeras e microfones, capturando tudo que ali acontecia.
Quando o financista foi preso em 2019 por tráfico sexual de menores na Flórida e em Nova York, a população e setores da política dos Estados Unidos pressionaram o governo Trump a extrair de Epstein toda a verdade sobre os “Arquivos Epstein” – suas correspondências, os registros de voos para sua ilha, quem esteve na casa dele ao longo dos anos, entre outros.
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A verdade, porém, ficaria obstruída; no dia 10 de agosto de 2019, Jeffrey Epstein morreu na prisão, alegadamente após se suicidar em sua própria cela. Especialistas forenses desafiam a conclusão do poder público, e uma fita do FBI dizendo mostrar vídeos das câmeras de segurança do presídio possuía quase 3 minutos de imagens perdidas.
A divulgação dos “Arquivos Epstein” foi ignorada, contra a vontade e os protestos da população, pelos governos Biden e Trump até 2025. Depois de prometer, em sua campanha, que divulgaria os Arquivos Epstein caso fosse reeleito, o atual presidente Donald Trump o fez com quase um ano de atraso e resistência.
Documentos nos Arquivos Epstein “podem ser falsos”, alega governo Trump
Os novos documentos divulgados no caso Epstein podem ser livremente acessados no portal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que encabeça os esforços do Ato de Transparência dos Arquivos Epstein.
Mesmo assim, o próprio Departamento comunicou uma mensagem confusa em nota oficial: no mesmo texto, o órgão afirma que realizou uma inspeção rigorosa da documentação enviada ao FBI, mas também alega que podem existir provas “falsas ou falsamente submetidas”, especialmente aquelas que incluírem “acusações contra o Presidente Trump”.
