O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (7) em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,3858, registrando a primeira valorização da moeda norte-americana em 2026. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 1,03% e fechou aos 161.975 pontos.
Com a agenda doméstica esvaziada de indicadores relevantes, o mercado concentrou atenções no cenário externo, especialmente nos Estados Unidos e nos desdobramentos políticos envolvendo a Venezuela. Dados mais fracos do mercado de trabalho americano reforçaram as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed) em relação aos juros.
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Nos Estados Unidos, o relatório da ADP mostrou a criação de 41 mil vagas no setor privado em dezembro, abaixo da previsão de 47 mil. Já a pesquisa JOLTS indicou queda maior do que a esperada no número de vagas abertas, que recuaram para cerca de 7,2 milhões em novembro. Segundo analistas, a incerteza política, sobretudo em torno de tarifas de importação, tem levado empresas a adiar contratações, além do avanço do uso de inteligência artificial em algumas funções.
Os dados aumentaram a expectativa de que o Fed promova dois cortes de juros ao longo deste ano, tema que deve ganhar ainda mais atenção com a divulgação do relatório oficial de empregos (payroll), prevista para sexta-feira (9).
No cenário internacional, os mercados também reagiram às informações sobre a retomada do fornecimento de petróleo da Venezuela aos Estados Unidos. O presidente Donald Trump anunciou que autoridades interinas venezuelanas concordaram em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo ao país, volume equivalente a cerca de dois meses da produção atual venezuelana. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, as vendas já começaram e os recursos obtidos ficarão sob controle americano.
Em Wall Street, os índices fecharam sem direção única. O Nasdaq avançou 0,17%, enquanto o S&P 500 recuou 0,34% e o Dow Jones caiu 0,96%. Na Europa, as bolsas tiveram desempenho próximo da estabilidade, com destaque para a desaceleração da inflação da zona do euro para 2% em dezembro, nível compatível com a meta do Banco Central Europeu.
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No Brasil, além do cenário externo, o Ibovespa também foi pressionado por notícias corporativas, como a interrupção temporária de trabalhos de perfuração na Margem Equatorial após a identificação de problemas técnicos. Na agenda econômica, investidores aguardam a divulgação dos dados semanais de fluxo cambial. Na véspera, o governo informou que o país fechou 2025 com superávit comercial de US$ 68,3 bilhões, com expectativa de saldo ainda maior em 2026.
No acumulado do ano, o dólar registra queda de 1,87%, enquanto o Ibovespa sobe 0,55%.
