Governo vai liberar R$ 7 bi do FGTS para 10 milhões de trabalhadores demitidos, afirma ministro

Governo alega que a Caixa manteve dinheiro nas contas para possibilitar novos empréstimos, contrariando determinações de medidas anteriores

Por Redação TMC | Atualizado em
A imagem mostra as mãos de uma pessoa segurando o celular. Na tela do aparelho está o aplicativo do FGTS
Veja o que mudou em relação ao saque-aniversário do FGTS (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

O Ministério do Trabalho vai liberar cerca de R$ 7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para cerca de 10 milhões de trabalhadores. O ministro Luiz Marinho afirmou nesta quarta-feira (09) que a Caixa Econômica Federal reteve valores além do necessário para garantias de empréstimos. A medida integra um pacote do governo Lula para tentar reduzir o endividamento das famílias brasileiras.

Os recursos bloqueados pertencem a trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário do FGTS e foram demitidos. Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro afirmou que a Caixa manteve dinheiro nas contas para possibilitar novos empréstimos, contrariando determinações de medidas provisórias anteriores.

O ministro começou a receber reclamações de trabalhadores informando que a instituição financeira não liberou integralmente os valores devidos. O Ministério do Trabalho constatou que existe um volume de recursos retidos para que os trabalhadores pudessem contratar novos empréstimos.

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Marinho explicou que trabalha “para liberar um recurso do FGTS dos trabalhadores que, quando o presidente Lula assinou as duas medidas provisórias de liberação do fundo para os demitidos, ficou estabelecido que ficaria retido no fundo o que os trabalhadores tomaram de empréstimo junto às instituições financeiras para honrar os compromissos dos contratos“.

“Depois, comecei a receber reclamação de muita gente dizendo que a Caixa não liberou integralmente o que deveria. Fui estudar e, de fato, constatamos que tem um volume de recursos que a Caixa deixou na conta do trabalhador para que ele tomasse novos (empréstimos). A medida provisória liberava tudo que era do trabalhador, queremos liberar”, disse Luiz Marinha ao jornal O Globo.

Regulamentação do FGTS

O governo formata outra medida: a regulamentação do uso do FGTS como garantia de empréstimos consignados. Atualmente, o limite máximo é de 10% do saldo do fundo, mas essa possibilidade não foi implementada por falta de regulamentação.

Apenas a multa de 40% do saldo do FGTS nas demissões sem justa causa pode ser ofertada no consignado e trabalhadores podem tomar empréstimos de até 35% da renda.

Com a nova medida, o trabalhador poderá optar por usar toda a multa como garantia para obter uma taxa mais baixa de juros. Marinho exemplificou: O ministro avaliou que não precisa de equação jurídica para liberar os recursos. “É a Caixa cumprir o que já estava determinado (nas MPs) e que não foi cumprido na totalidade”, afirmou.

O ministro esclareceu que o fim do saque-aniversário do FGTS não está em debate. Ele afirmou ter conversado com o presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre o assunto.

Questionado sobre o alto endividamento apesar da baixa taxa de desocupação do país, Marinho apontou múltiplos fatores. Ele citou a guerra no Oriente Médio como causadora de desajustes e impactos globais, mas identificou a alta taxa de juros como a principal responsável pelo desajuste orçamentário das pessoas e famílias.

O ministro mencionou que o presidente tem destacado mudanças nos hábitos de vida da população. Com a tecnologia, muitas pessoas aderem a serviços que geram despesas. Marinho citou as apostas online como outro problema. O governo avaliará como tratar a questão.

O ministro classificou o endividamento como uma questão complexa com vários componentes, relacionada à renda e a novas despesas agregadas. Marinho reforçou que os costumes têm mudado muito.

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