O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, atual CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, nesta quinta-feira (15/01). A instituição financeira, com sede em São Paulo, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (14/01), que investiga fraudes no sistema financeiro nacional.
A decisão foi tomada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, que já designou um liquidante independente para conduzir o processo. A autoridade monetária fundamentou a medida citando “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”.
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A Reag, responsável pela administração e gestão de mais de 80 fundos de investimento, está envolvida em investigações sobre possíveis fraudes. O caso envolve a venda de carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), transação avaliada em R$ 12,2 bilhões.
João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag, foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão executados pela PF durante a operação. O Banco Master, também investigado, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC em novembro de 2025.
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O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, autorizou 42 mandados de busca e apreensão, além do sequestro e bloqueio de bens e valores. As ações policiais ocorreram em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, incluindo diligências na Avenida Faria Lima, importante centro financeiro paulistano.
De acordo com o BC, a Reag se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional. Este segmento inclui instituições de pequeno porte com baixo impacto para a estabilidade do sistema financeiro.
A liquidação afeta apenas a instituição administradora, não os fundos em si. As mais de 80 carteiras administradas pela Reag continuarão existindo, mas precisarão encontrar novas instituições para exercer a função de administração.
Em comunicado oficial, o BC informou que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais”. O resultado das investigações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”.
O documento também destaca que “Ainda nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”.
Até a última atualização, as autoridades haviam apreendido R$ 97,3 mil em dinheiro durante as operações. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso como possivelmente a “maior fraude bancária” do país.
A Reag Investimentos já havia sido investigada anteriormente na operação Carbono Oculto, que apurou conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Esta operação, considerada a maior já realizada no Brasil contra o crime organizado, investigou um esquema de fraudes no setor de combustíveis que teria sonegado mais de R$ 7,6 bilhões em impostos.
A Receita Federal identificou aproximadamente 40 fundos controlados pela facção criminosa, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões. Os recursos eram utilizados para ocultar dinheiro no mercado financeiro, principalmente na região da Avenida Faria Lima.
