Tesouro Reserva permite investir a partir de R$ 1 com liquidez diária e resgate a qualquer momento

Título público lançado nesta segunda-feira não apresenta marcação a mercado e rende diariamente, diferente da poupança que credita mensalmente

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(FOTO: Divulgação/Tesouro Direto)

O Tesouro Nacional lança o Tesouro Reserva nesta segunda-feira (11/05). O novo título público permite aplicação inicial de R$ 1 e resgate imediato dos recursos. O produto pode ser negociado 24 horas por dia e conta com garantia da dívida soberana brasileira.

O lançamento acontece em evento na B3, em São Paulo. Inicialmente, apenas clientes do Banco do Brasil terão acesso ao título.

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Características do novo investimento

O gestor da dívida pública criou uma modalidade de investimento que permite aos cidadãos aplicar recursos a qualquer momento. O título se diferencia dos demais produtos comercializados pelo Tesouro Nacional por não apresentar marcação a mercado e ter rendimento ao par. Os títulos nunca apresentarão oscilação negativa.

Investidores podem realizar aportes e resgates a qualquer momento. O Tesouro Direto atual funciona apenas em dias úteis entre 9h e 18h.

Os outros títulos vendidos pelo Tesouro possuem um preço determinado e uma taxa a ser alcançada apenas no vencimento. Eles podem ser vendidos antes com valor distinto do projetado. O Tesouro Reserva mantém estabilidade no valor.

O título renderá diariamente. A caderneta de poupança credita rendimentos mensalmente.

Alternativa às aplicações de fintechs

A criação do Tesouro Reserva representa uma resposta às aplicações financeiras oferecidas por fintechs. Essas aplicações são conhecidas como “caixinhas” e utilizam CDBs com rendimentos próximos à Taxa Selic.

Rogério Ceron, então secretário do Tesouro e atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, afirmou que o objetivo é permitir que brasileiros sem familiaridade com outras aplicações ingressem no mundo dos investimentos pela plataforma.

Ceron mencionou a crise do Banco Master como exemplo da importância da segurança nos investimentos. A liquidação do banco resultou na necessidade de socorrer milhares de investidores com recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O valor baixo de aporte para a entrada visa atingir quem não pretende carregar um investimento por prazos mais longos, como os tradicionais oferecidos pelo Tesouro, explicou Ceron.

Estratégia de popularização dos títulos públicos

O produto integra a estratégia do Tesouro Nacional de popularizar os títulos da dívida nacional. A estratégia foi iniciada em 2023 com o lançamento do Renda+ e do Tesouro Educa+.

O Renda+ tem prazos acima de 20 anos. O investimento tem foco em complemento à aposentadoria. O investidor pode planejar uma data para descansar e receber um valor extra mensal por 20 anos.

O Tesouro Educa+ foi lançado com foco nos pais que desejam garantir um dinheiro extra aos filhos em idade escolar. O produto permite receber a renda por 60 meses após o prazo escolhido.

Público-alvo e expectativas

O Tesouro Reserva é destinado a investidores pessoa física. O foco especial está em quem busca iniciar no mercado de investimentos.

O Tesouro Nacional estima que o número de aplicadores possa superar os 10 milhões com o novo produto. Ao final de 2025, todos os títulos do Tesouro destinados à pessoa física contabilizavam 3,4 milhões de investidores.

Limites e rentabilidade

O Tesouro Reserva terá limite máximo de investimento de R$ 500 mil por pessoa. O título possui prazo de dez anos, apesar da liquidez diária.

A Taxa Selic está em 14,5% ao ano. O mercado projeta Selic de 9,5% no fim de 2029.

A caderneta de poupança rende 0,5% ao mês mais a taxa de referência quando a taxa básica está acima de 8,5%. Em 2025, a valorização da poupança foi de 8,26%. A taxa básica de juro ficou em 15% ao ano, quase sete pontos percentuais acima.

O novo título deve ser mais rentável do que a poupança pelo menos até 2029.

Todos os títulos do Tesouro destinados à pessoa física terminaram 2025 com volume total de R$ 213,2 bilhões.

Nova plataforma de negociação

O Tesouro Reserva será o primeiro título de uma nova plataforma. A plataforma é gerida pela B3 e conectada aos bancos para que correntistas possam acessá-la aproveitando a conta bancária.

A nova plataforma vai, gradualmente, substituir a atual. A migração dos títulos atuais e a aderência de novas instituições financeiras acontecerão de forma paulatina.

O novo espaço de negociação garante acesso a quem não tem disponibilidade para realizar operações no horário atual de compras do Tesouro Direto.

No Tesouro Direto, num título atrelado à Selic, haveria a mesma segurança e taxa maior. O Imposto de Renda varia de acordo com o tempo da aplicação. Ele só incide sobre os rendimentos e na hora do saque.

Não há especificação sobre quando os demais bancos e instituições financeiras terão acesso ao Tesouro Reserva além do Banco do Brasil. Também não há informações sobre a data exata em que a nova plataforma estará totalmente operacional para todos os investidores.

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