Quem viveu muito os anos 1990 e 2000 tem na memória um dos hobbies mais prazerosos da época: ir à videolocadora e alugar um filme para assistir, seja por fita VHS ou, mais tarde, por DVD, para assistir no fim de semana e devolver no início da semana seguinte.
Com o tempo, essa atividade foi ficando cada vez mais rara, à medida em que o streaming foi ganhando espaço no cotidiano das pessoas. Simultaneamente, as locadoras foram perdendo mercado e quase todas acabaram fechando as portas. Mas uma delas resiste à modernidade: a Videolocadora Charada, na Vila Tolstói, em Sapopemba, Zona Leste de São Paulo.
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Há 31 anos na ativa, o estabelecimento ainda guarda milhares de fitas e DVDs dos mais diversos mercados do audiovisual, o que Gilberto Petruche, de sete décadas vividas e há três dono da Charada, se orgulha de compartilhar com quem visita. “Não gosto do cinema tradicional hollywoodiano, é o fim do cinema”, diz de forma enfática. “Sempre quis levar filmes underground”, complementa o proprietário, declaradamente fã do cinema brasileiro.
Esses filmes ainda são comercializados, alguns como troca, outros como compra e venda com outros entusiastas do cinema alternativo, o que contribui para movimentar a videolocadora, que precisou se reinventar para se manter aberta ao público. Surgiu, assim, o Centro Cultural Charada, nome atual do local, que hoje, também, recebe shows de rock, eventos especializados e até locação para a gravação de filmes.
A história da Charada em filme
Toda a história da locadora é retratada no documentário ‘Rebobinando Memórias: Videolocadora Charada’, no qual a TMC esteve presente em uma sessão de estreia fechada apenas para a imprensa, criadores de conteúdo e convidados. Por uma hora e meia, a produção, liderada pelo diretor Jefferson Mendes, mistura as trajetórias do estabelecimento, da família e a do próprio Gilberto com o avanço dos anos.
“O documentário começa de um jeito e termina de outro. A gente vai sendo levado junto. Várias coisas a gente nem imaginava que acabaram entrando no filme”, relata Jefferson. “Assisti mais de 20 horas de fitas que continham imagens da família do Gilberto e da locadora”, conta o diretor, que afirmou ter feito um trabalho “insistente” de achar o material para enriquecer o documentário depois de Gilberto dizer que não havia imagens de arquivo da Charada. “A gente conta com a sorte às vezes.”
A produção, agora, deve ganhar em breve os mais diversos cinemas de rua em São Paulo, além de plataformas gratuitas de streaming na internet. Paralelamente, o Centro Cultural Charada, uma das raras locadoras ainda existentes em São Paulo, e a única de periferia, segue sendo um ponto de entretenimento para as mais diversas gerações, que aos poucos voltam a procurar a mídia física para reviver tempos que, por mais que não voltem mais, reacendem lembranças e renovam o entusiasmo pela Sétima Arte.
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