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Escritora angolana Ana Paula Tavares ganha Prêmio Camões 2025

A honraria é a principal premiação literária da língua portuguesa

A escritora, poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares, de 72 anos, conquistou, nesta quarta-feira (8), o Prêmio Camões 2025. A honraria é a principal premiação literária da língua portuguesa, concedida por meio da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) e pelo governo de Portugal. A vencedora receberá 100 mil euros, um dos maiores valores entre os prêmios literários do mundo. Entre os 36 nomes que já venceram a premiação estão João Cabral de Mello Neto, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Mia Couto, José Saramago, Lygia Fagundes Telles e Chico Buarque

A decisão ocorreu nesta quinta-feira (8) em uma reunião virtual do júri, que é composto por membros brasileiros, portugueses, angolanos e moçambicanos. De acordo com o júri, o prêmio foi concedido a Ana Paula Tavares, “distinguindo a sua fecunda e coerente trajetória de criação estética e, em especial, o seu resgate de dignidade da Poesia” e completou “com a dicção do seu lirismo sem concessões evasivas e com os livres compromissos da produção em crônica e em ficção narrativa, a obra de Ana Paula Tavares ganha também relevante dimensão antropológica em perspectiva histórica”.

Compõem o grupo de jurados o professor da Universidade de Coimbra (Portugal), José Carlos Seabra Pereira; a professora da Universidade de Lisboa (Portugal), poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite; o professor da Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique), Francisco Noa; a professora e pesquisadora da PUC-SP (Brasil), Lucia Santaella; o historiador, advogado e membro da Academia Brasileira de Letras, Arno Wehling (Brasil); e o escritor e crítico literário Lopito Feijó (Angola).

Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a escolha de Ana Paula Tavares celebra a força e a beleza da literatura lusófona.

“Sua poesia, tecida de memória, resistência e afeto, revela a potência das vozes africanas e femininas que enriquecem os patrimônios culturais. Reconhecemos sua obra como laços profundos que unem Brasil, Angola e todos os países da lusofonia pela arte, pela palavra e pela história compartilhada”, afirmou.

O presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, destacou que Ana Paula Tavares é uma “representante extraordinária” da lusofonia, principal vocação do Prêmio Camões.

“Poeta, ensaísta, pesquisadora, ela reúne todas as virtudes que deságuam num compromisso ético. Seu olhar é marcado pela urgência, ao reivindicar as questões da África, do Brasil e de Portugal, atenta aos grandes desafios contemporâneos”, disse Lucchesi.

Sobre a vencedora

Ana Paula Tavares nasceu na província angolana de Huíla, em 1952. O início da graduação em história foi na Faculdade de Letras do Lubango, atual Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla. A mudança para Portugal foi em 1992, onde terminou o curso na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Lá mesmo fez mestrado em Literaturas Africanas. Mais tarde, completou doutorado em antropologia na Universidade Nova de Lisboa. Atualmente, leciona na Universidade Católica de Lisboa.

Entre poesia, crônicas e romances, Ana Paula Tavares publicou mais de dez livros, em títulos como Ritos de Passagem (1985), O Lago da Lua (1999), A Cabeça de Salomé (2004) e Um rio preso nas mãos (2019). Em 2004, ganhou o Prêmio Mário Antônio de Poesia, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, com o livro Dizes-me coisas amargas como os frutos.

A escritora angolana recebeu ainda o Prêmio Nacional de Cultura e Artes de Angola na categoria literatura, em 2007, pelo livro Manual para amantes desesperados. Segundo a FBN, obras da autora estão presentes em antologias publicadas em países como Portugal, Brasil, França, Alemanha, Espanha e Suécia.

Prêmio Camões

O Prêmio Camões foi instituído, em 1988, pelos governos do Brasil e de Portugal para estreitar os laços culturais entre os dois países integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas também para enriquecer o patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. A primeira edição foi realizada em 1989. O conjunto da obra, que contribui para a valorização do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa, é determinante para a escolha dos vencedores. A organização da premiação pela parte portuguesa cabe ao Ministério da Cultura de Portugal e pela brasileira à Fundação Biblioteca Nacional.

A cada edição, o júri é composto por dois portugueses, dois brasileiros e dois representantes dos demais países membros da CPLP: Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste e São Tomé e Príncipe. Cada jurado tem mandato de dois anos. 

Agência Brasil

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