A derrota da Seleção Brasileira nunca é apenas uma derrota. Não porque exista uma relação direta entre futebol e política, mas porque o futebol sempre ocupou um lugar simbólico na identidade nacional.
Quando a chamada “pátria de chuteiras” fracassa, é inevitável que muita gente enxergue ali um retrato do próprio país.
Hoje, a desconfiança em relação à Seleção se parece muito com a desconfiança que cerca o Brasil. Já não acreditamos plenamente nos jogadores, assim como deixamos de acreditar em boa parte das nossas lideranças e instituições.
O sentimento é o mesmo: falta direção, credibilidade e sobra decepção.
Escândalos de corrupção, políticos que repetem velhas práticas, instituições questionadas e uma educação que continua sem prioridade alimentam a percepção de um país incapaz de avançar.
Aos poucos, a esperança dá lugar ao conformismo, como se o fracasso tivesse se tornado parte da rotina.
É evidente que perder uma Copa do Mundo não explica os problemas do Brasil. Mas símbolos não precisam explicar; eles apenas representam.
E a Seleção Brasileira parece representar exatamente isso: a sensação de um país que já não consegue convencer seus próprios cidadãos de que tem um rumo.
Talvez o maior problema não esteja no placar. Este sempre pode mudar. O mais preocupante é a perda da confiança.
Porque uma seleção pode voltar a vencer. Um país, porém, só avança quando seu povo volta a acreditar nele.
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