O Corinthians foi o único dos 20 clubes da Série A a não registrar nenhuma contratação ou saída de jogador na janela de transferências encerrada na última sexta-feira (11/09) — a última da atual temporada. O cenário, porém, não ocorreu apenas por uma decisão esportiva: o clube atravessou o período impedido de registrar novos atletas por causa de transfer bans.
As punições foram aplicadas em razão de pendências financeiras envolvendo negociações anteriores. No fim da janela nacional, o Corinthians ainda tinha três transfer bans ativos.
O chamado transfer ban é uma punição que impede o clube de registrar novos jogadores até que as pendências que deram origem às sanções sejam resolvidas. Em julho, o Corinthians chegou a acumular quatro bloqueios, mas conseguiu derrubar um deles após pagar uma multa de US$ 225 mil à Fifa.
Para resolver a pendência, o Corinthians tem que desembolsar aproximadamente R$ 21,9 milhões. Caso não pague, não poderá registrar os atletas. O montante é repartido em três dívidas.
| Motivo do transfer ban | Valor na moeda original | Valor em real (US$ 1 = R$ 5,09) (€ = R$ 5,8) |
| Dívida com o Philadelphia Union pela compra de José Martinez + despesas do processo | US$ 1,425 milhão + US$ 100 mil | R$ 7,7 milhões |
| Parcela em atraso do acordo com a CNRD | US$ 1,57 milhão | R$ 8 milhões |
| Dívida com o Midtjylland pela compra de Charles + despesas do processo | € 1 milhão + US$ 85 mil | R$ 6,2 milhões |
| Total: | US$ 3,18 milhões + € 1 milhão | R$ 21,9 milhões |
Dívidas bloquearam o mercado
Entre os casos que resultaram nas punições está uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez. O Corinthians também foi punido pelo não pagamento de uma parcela da contratação de Charles, do Midtjylland, da Dinamarca.
Outro bloqueio teve relação com uma multa disciplinar aplicada pela Fifa envolvendo pendências relacionadas às negociações de José Martínez, Charles e Talles Magno. O Corinthians quitou essa multa em julho e conseguiu retirar uma das punições.
A situação financeira fez com que a diretoria priorizasse salários e direitos de imagem do elenco em vez de quitar todas as pendências necessárias para liberar o mercado. No fim de agosto, o clube ainda tinha cerca de R$ 21,5 milhões em dívidas relacionadas aos três bloqueios ativos.
Corinthians ficou isolado no mercado
O resultado foi uma janela completamente diferente da dos demais clubes da Série A. Todos os outros 19 times tiveram pelo menos uma chegada ou saída registrada, enquanto o Corinthians aparece com zero movimentações no levantamento.
A diferença fica evidente nos valores investidos pelos principais compradores. O Cruzeiro gastou cerca de R$ 141,3 milhões em contratações, seguido por Vasco (R$ 109 milhões), Flamengo (R$ 77 milhões), Botafogo (R$ 67,8 milhões) e Bahia (R$ 64,8 milhões).
A ausência de gastos não significa, necessariamente, ausência de reforços entre os demais clubes. Internacional, Fluminense, Santos, Chapecoense e Coritiba, por exemplo, registraram chegadas sem pagamento de taxas de transferência ou em operações sem valores informados.
O Corinthians foi além: não registrou nem contratação nem saída.
A situação também impediu o clube de avançar em negociações durante a janela. O técnico Fernando Diniz queria reforços para o elenco, mas o transfer ban inviabilizou a inscrição de novos jogadores. Entre os nomes que estiveram no radar estavam Wesley (hoje no Cruzeiro) e Everton Cebolinha (reforço do Santos), além do volante Arthur (também no Peixe).




