Nesta sexta-feira (03/07), a cidade de Kansas City, nos Estados Unidos, será palco de um confronto carregado de história e tensões táticas. Em partida válida pela fase de 32 seleções (16 avos de final) da Copa do Mundo de 2026, a Colômbia medirá forças contra Gana.
O principal atrativo do duelo, no entanto, está à beira do campo: o português Carlos Queiroz, atual comandante da seleção ganesa, enfrenta a equipe sul-americana pela primeira vez desde sua demissão conturbada em 2020.
Abaixo, entenda o contexto da passagem de Queiroz pela Colômbia e os elementos que apimentam este reencontro no Mundial.
A passagem conturbada pela Colômbia
Carlos Queiroz assumiu a seleção colombiana no início de 2019 com a missão de manter o país no topo do futebol sul-americano após o ciclo vitorioso de José Pékerman. No entanto, sua passagem, que durou até o final de 2020, terminou de forma abrupta e desgastante.
A ruptura definitiva ocorreu durante as Eliminatórias Sul-Americanas, quando a Colômbia sofreu dois reveses traumáticos consecutivos: um duro 3 a 0 sofrido para o Uruguai e, sobretudo, uma goleada histórica, um vexatório 6 a 1 para o Equador, em Quito.
Estes resultados, somados à forte rejeição e pressão por parte da imprensa esportiva local, tornaram a permanência do técnico insustentável, culminando em sua demissão.
Vantagem tática e conhecimento mútuo
Apesar do fim amargo, o legado de Queiroz ainda é visível na atual formação colombiana. O confronto desta sexta-feira apresenta um cenário curioso, em que o técnico e os adversários se conhecem profundamente.
- Dos 26 jogadores convocados pelo atual treinador da Colômbia, Néstor Lorenzo, 13 atletas — exatamente a metade do grupo — fizeram parte do ciclo de trabalho de Queiroz.
- Nomes fundamentais que continuam sendo titulares absolutos, como o meia James Rodríguez, o zagueiro Davinson Sánchez, o lateral Johan Mojica e o volante Jefferson Lerma, conhecem de perto a metodologia e as estratégias do português.
Clima pré-jogo: respeito, alfinetadas e cobranças
Nas entrevistas coletivas que antecederam a partida em Kansas City, Carlos Queiroz adotou um tom que mesclou respeito pela qualidade do adversário com observações analíticas e cobranças institucionais:
- Análise tática: o treinador elogiou a atual organização da equipe de Néstor Lorenzo, mas fez questão de pontuar em entrevista à TVI, de Portugal, que “não há equipes perfeitas”, garantindo que Gana está pronta para explorar as fragilidades colombianas.
- Cobrança extracampo: em um momento mais delicado, Queiroz utilizou os holofotes da Copa do Mundo para cobrar publicamente a Federação Colombiana de Futebol (FCF). Ele exigiu suporte financeiro e moral à família de Des McAleenan, seu ex-preparador de goleiros na época de Colômbia, que faleceu após lutar contra uma severa depressão.
- Críticas à Fifa: dias antes do confronto, o português também não poupou críticas à própria organização do torneio, manifestando insatisfação com o formato expandido da atual Copa do Mundo.
O que está em jogo
Além das narrativas extracampo e do peso emocional do reencontro, a partida possui caráter eliminatório imediato. O vencedor do duelo entre Colômbia e Gana garantirá uma vaga nas oitavas de final e já tem adversário definido: enfrentará a Suíça, que avançou na competição após derrotar a Argélia.
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