A Copa do Mundo de 2026 tem colocado o futebol mexicano em evidência, mas poucos clubes do país chamam tanta atenção quanto o Chivas Guadalajara. Um dos times mais populares e vitoriosos do México, o clube mantém uma política rara no futebol moderno: contrata apenas jogadores mexicanos ou atletas que tenham direito à nacionalidade mexicana por nascimento.
A tradição é um dos pilares da identidade do Chivas e remonta à primeira metade do século XX. Curiosamente, o clube não nasceu com essa característica. Fundado em 1906 pelo comerciante belga Edgar Everaert, o então Club Unión contava com diversos jogadores europeus em seu elenco. Dois anos depois, ao adotar o nome Club Deportivo Guadalajara, iniciou um processo de aproximação com a população local e de valorização da identidade mexicana.
A política de exclusividade foi consolidada em 1943, quando o futebol mexicano passou por sua profissionalização. Enquanto a maioria dos clubes investia na contratação de atletas estrangeiros, principalmente sul-americanos e espanhóis, o Chivas decidiu seguir caminho oposto. A diretoria adotou oficialmente a regra de utilizar apenas jogadores mexicanos, com o objetivo de demonstrar que o talento nacional poderia competir em alto nível sem depender de reforços importados.
A escolha ajudou a transformar o clube em um símbolo de orgulho nacional e fortaleceu sua imagem como o “time do povo”. Ao mesmo tempo, criou um contraste marcante com o principal rival, o Club América, conhecido historicamente por investir em grandes contratações e estrelas estrangeiras.
Como a regra funciona atualmente
Com a globalização do futebol, o Chivas precisou adaptar os critérios para definir quem pode vestir sua camisa. Hoje, o clube segue o conceito de “mexicano por nascimento”, previsto na legislação do país.
Na prática, filhos de mexicanos nascidos no exterior podem atuar pelo clube, caso possuam o direito à nacionalidade mexicana. Isso permitiu a contratação de atletas nascidos nos Estados Unidos, mas com ascendência mexicana.
Por outro lado, jogadores estrangeiros naturalizados não são aceitos, mesmo que obtenham posteriormente a cidadania mexicana. A restrição vale para atletas sem ascendência mexicana que adquiriram a nacionalidade apenas por residência no país.
Um caso raro no futebol mundial
Embora seja um dos exemplos mais conhecidos, o Chivas não está sozinho. O principal paralelo internacional é o Athletic Bilbao, da Espanha, que adota há mais de um século uma política voltada à identidade basca. O clube espanhol prioriza jogadores nascidos ou formados na região do País Basco.
Na América do Sul, o El Nacional, do Equador, também mantém a tradição de utilizar exclusivamente atletas equatorianos. Já o Altınordu, da Turquia, trabalha apenas com jogadores nascidos no país, apostando fortemente na formação de talentos.
Chivas Guadalajara na Copa do Mundo de 2026
Um total de 5 jogadores do Chivas Guadalajara foram convocados para a seleção mexicana para disputar a Copa do Mundo de 2026. Os atletas do clube chamados pelo técnico Javier Aguirre são:
- Raúl Rangel (Goleiro)
- Luis Romo (Defensor)
- Roberto Alvarado (Meio-campista)
- Brian Gutiérrez (Meio-campista)
- Armando González (Atacante)
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