Coutinho se apresenta no Santos: “O que me motiva é voltar a ser alegre jogando futebol”

Meia herda a camisa 11 de Rony em apresentação oficial e detalha a influência decisiva de Neymar em seu retorno aos gramados

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Foto: Reprodução/SantosTV

O meio-campista Philippe Coutinho e o lateral-direito Rodinei foram apresentados oficialmente como os novos reforços do Santos nesta segunda-feira (14/09), em evento realizado na sala de imprensa do CT Rei Pelé.

A cerimônia, que contou com a presença de ídolos do passado como Elano e Anderson Lima, foi marcada por uma quebra de protocolo inesperada. O atacante Rony interrompeu a coletiva para entregar a sua camisa 11 para o novo companheiro, em um pedido feito de coração pelo próprio jogador, que passará a usar o número 33.

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A atitude foi amplamente elogiada e registrada por Neymar nas redes sociais. O camisa 10 santista publicou uma foto do abraço entre os dois atletas, com a mensagem: “Que baita atitude. Parabéns @rony7oficial Grandeza e humildade são pra poucos. Tmj Rustico”.

Durante a entrevista de apresentação, Coutinho abriu o jogo sobre a influência direta do craque santista na sua decisão de assinar com a equipe da Vila Belmiro. O armador revelou que Neymar foi a primeira pessoa do meio esportivo a procurá-lo após a sua turbulenta saída do Rio de Janeiro. “Com certeza o Neymar teve um papel muito importante na minha vinda. É um jogador que dispensa comentários, um amigo que eu tenho desde criança”, relatou.

Ele explicou que recusou as primeiras investidas por não estar em condições psicológicas, mas mudou de ideia após um contato decisivo recente. “Nas duas últimas semanas ele mandou outra mensagem. E aí eu parei, pensei, repensei, eu tinha vontade de voltar a jogar bola. Seria injusto comigo não poder voltar a trabalhar e não poder voltar a jogar”, desabafou o atleta de 34 anos.

Meia lamenta saída turbulenta do Vasco

O tema mais sensível da apresentação foi a sua despedida do Vasco da Gama, clube que o revelou para o cenário internacional. O meia detalhou o sacrifício financeiro milionário que precisou fazer para retornar ao futebol brasileiro no ano passado, algo que ele mantinha em sigilo até então. “Eu ainda tinha um ano de contrato no Catar, onde eu ganhava R$ 10 milhões limpos. Eu queria deixar claro isso para as pessoas entenderem. E ainda tinha mais um ano de contrato no Aston Villa. Deixei tudo na mesa e vim, porque minha vinda ao Vasco sempre foi por carinho, por respeito”, enfatizou.

O jogador lamentou profundamente o desfecho da relação, citando a pressão das arquibancadas em São Januário como um fator determinante: “O estádio inteiro gritando o meu nome, me xingando, pedindo a minha saída, aquilo ali foi muito duro”.

Afastado dos gramados desde fevereiro para cuidar da saúde mental, Coutinho aproveitou o espaço para desmistificar o tratamento psicológico no esporte de alto rendimento. Ele explicou que perdeu a paixão pelo jogo e precisava reencontrar o seu propósito de vida antes de calçar as chuteiras novamente. “Futebol sempre foi a minha paixão. Por um tempo eu perdi isso. Qualquer um que trabalha, quando sai de casa, precisa ter um propósito. As coisas precisam fazer sentido”, analisou.

O veterano declarou que o período de reclusão foi fundamental para sua plena recuperação pessoal. “Me conectei com as coisas simples da vida, e isso me fortaleceu. E hoje eu me sinto forte e preparado para estar de volta. Fui totalmente honesto comigo, honesto com meus sentimentos, e em nenhum momento eu abandonei o Vasco”, concluiu de forma enfática.

Situação física e contrato curto

Questionado sobre o seu preparo físico atual e o tempo de contrato curto com o clube alvinegro, válido apenas até o fim desta temporada, o meia adotou um tom de cautela. Ele garantiu que manteve uma rotina rigorosa de treinamentos particulares, mas pontuou que precisa se readaptar à dinâmica coletiva. “Me sinto bem, nesse período todo eu estive treinando, porque eu sempre gostei e não parei de treinar. Obviamente que não é a mesma coisa que jogar”, ponderou.

Sobre a possibilidade de estender o vínculo para atuar ao lado de Neymar em 2027, Coutinho evitou promessas: “Obviamente jogar ao lado do Neymar tem um grande peso, mas sobre o futuro, sobre o ano que vem, eu não consigo te responder nada. O que posso dizer é que venho com bastante vontade de trabalhar, de dar o meu máximo”.

Rodinei chega para a lateral

O clube também apresentou o lateral-direito Rodinei, que retorna ao país após uma passagem europeia vitoriosa. O jogador destacou que a decisão de deixar o Olympiacos, onde conquistou um título continental inédito (a Conference League), exigiu muito diálogo com sua família. “Estava lá na Grécia, estava feliz, mas sempre tinha aquilo no coração, aquela vontade de voltar a sentir esse calor do futebol brasileiro, das torcidas”, revelou.

Ele ressaltou a rápida adaptação ao grupo do técnico Cuca e se colocou à disposição para atuar em diferentes posições. “Sou um jogador que estou para ajudar. Se o treinador confia em mim, onde ele me colocar, eu vou tentar me adaptar para jogar”, garantiu o lateral.

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Conhecido por seu carisma e por ser um líder de vestiário, Rodinei fez um desabafo sobre sua postura mais descontraída. O defensor rejeitou a ideia de que sua alegria represente falta de comprometimento profissional nas partidas e nos treinamentos. “Não estou nem aí, porque antigamente já sofri muito com isso. Eu sou esse garoto resenha, gosto de brincar com meus companheiros, gosto de deixar o clima leve, mas quem veio dentro de campo não veio com risadinha, não veio com brincadeirinha, é muito trabalho”, disparou.

Projetando o futuro da equipe paulista no ano, Rodinei manteve os pés no chão quanto à disputa da Copa Sul-Americana, competição na qual o time possui uma vantagem no mata-mata contra o Atlético-MG, e comemorou a oportunidade de reeditar a parceria com Gabigol: “Esse apelido dele de predestinado não é à toa. Espero poder ajudar ele com assistência, com passes”.

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