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Muito além do Galo: o alcance esportivo do Master e as consequências do escândalo

Instituição financeira, sob investigação por desvio de R$ 11,5 bilhões, mantém conexões no futebol, no automobilismo e até no tênis

O escândalo financeiro envolvendo o Banco Master se estende por diversos setores esportivos brasileiros, com conexões que vão além do investimento de Daniel Vorcaro no Atlético-MG. A instituição, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central (BC), mantém vínculos com várias modalidades esportivas por meio de empresas associadas. Nesta quarta-feira (28/01), a Procuradoria-Geral da República continua investigando a participação do fundo Astralo na operação que viabilizou o aporte na SAF atleticana.

As investigações da Polícia Federal apontam que, entre 2023 e 2024, o Banco Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões através de um esquema de triangulações financeiras. Conforme apurado pelo portal Máquina do Esporte, neste método, a instituição emprestava dinheiro a supostos laranjas, que depois aplicavam esses recursos em fundos geridos pela Reag Investimentos. Estes fundos, por sua vez, investiam o capital em ativos sem valor real, como títulos de bancos já extintos.

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O fundo Astralo, juntamente com o Reag Growth 95, movimentou R$ 1,45 bilhão no Banco Master entre abril e maio de 2024. O beneficiário dessas operações seria João Carlos Mansur, dono da Reag Capital Holding, que participou do consórcio que assumiu a SAF do Juventus em 2025 por R$ 20 milhões.

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, que investigou lavagem de dinheiro, a Reag Capital Holding fechou seu capital em outubro de 2025 e se retirou da SAF do clube paulista. A Reag Investimentos foi posteriormente vendida à Arandu Partners em uma transação avaliada em R$ 100 milhões.

Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, investiu no fundo Galo Forte FIP, que adquiriu 20% da SAF do Atlético-MG por R$ 300 milhões. Já João Carlos Mansur renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração da Revee na quarta-feira (14/01).

A Revee fazia parte do consórcio que assumiu a SAF da Portuguesa, junto com a Tauá Partners e a XP Investimentos. A empresa seria responsável por viabilizar a reforma do Estádio do Canindé, com orçamento de R$ 500 milhões. Após o escândalo, a Revee deixou a SAF do clube, que agora busca novo parceiro.

O Banco de Brasília (BRB) também está envolvido na trama. A instituição entrou no esquema quando o Banco Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno, revendendo-a posteriormente ao BRB por R$ 12 bilhões, após suposta manipulação da taxa de juros. Quando a liquidação do Master foi oficializada, a instituição não conseguia honrar nem 15% de seus vencimentos mensais.

O BRB é conhecido por seus diversos patrocínios esportivos. A instituição tem sua marca na camisa do Flamengo e apoia a Confederação Brasileira de Tênis (CBT). A parceria com a entidade foi renovada em janeiro de 2025 e inclui apoio ao tênis profissional, beach tennis e tênis em cadeira de rodas.

No automobilismo, o BRB patrocina a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), a equipe Alpine da Fórmula 1, o piloto Gabriel Bortoleto – único brasileiro na F1 – e também é detentor dos naming rights da Stock Car, principal categoria do automobilismo nacional.

A Moriah Asset, fundada pelo empresário e pastor evangélico Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, também está sob investigação. A empresa se autodenomina o “primeiro veículo de investimentos em wellness [bem-estar] do Brasil”. Criada em 2023, administra ativos avaliados em mais de R$ 1,8 bilhões, incluindo investimentos em empresas como Desinchá e Grupo Frutaria.

O principal investimento da Moriah Asset foi na marca brasileira de açaí Oakberry, conhecida pelos patrocínios a eventos esportivos. No automobilismo, a marca chegou a patrocinar a equipe Haas da Fórmula 1 e foi fornecedora oficial do Grande Prêmio de São Paulo de F1, além de haver marcado presença na Fórmula 4 e na Porsche Cup.

A CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, anteriormente chamada de Reag Trust DTVM, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC na quinta-feira (15/01). A empresa é suspeita de criar e administrar fundos com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.

A Reag Investimentos administrava seis fundos que receberam dinheiro das operações do Master e que, juntos, possuíam ativos declarados de R$ 102,4 bilhões. Esses fundos funcionavam como canais para que o dinheiro chegasse aos beneficiários do esquema. A empresa também atuava como gestora e administradora do fundo da Neo Química Arena. Em agosto de 2025, o Corinthians iniciou análises com a Caixa para substituir a instituição financeira nesse negócio.

Leia mais: Santos avalia proposta de R$ 1 bilhão para vender SAF para grupo estrangeiro

O Will Bank, banco digital do grupo Master que declarava possuir 12 milhões de clientes e focava na população de baixa renda, também foi liquidado. Aproximadamente 60% de sua base de correntistas residia na Região Nordeste. Fundado no Espírito Santo a partir da plataforma de emissão de cartões de crédito Pag!, o Will Bank passou a ser controlado pelo Master em 2024.

As investigações continuam em andamento pela Polícia Federal através da Operação Compliance Zero, e ainda não se conhece a extensão total do envolvimento de todas as partes no esquema, nem o destino dos recursos desviados.

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