Luis Garcia Abad, diretor-geral do GP da Espanha, disse que a organização já recebeu recomendações da FIA e está aberta a redesenhar o traçado do Madring após estreia com poucas ultrapassagens.
O GP da Espanha de Fórmula 1 foi disputado no último fim de semana no Madring, em Madri, com estreia elogiada pela estrutura, mas marcada por poucas ultrapassagens na corrida. Luis Garcia Abad, diretor-geral do evento, afirmou que a organização está disposta a modificar o traçado e já recebeu recomendações da FIA para a edição de 2027.
Segundo Abad, a metade norte do circuito foi erguida em um terreno até então vazio, o que dá espaço para mudanças significativas antes da próxima corrida, marcada dentro de um contrato de dez anos entre Madri e a Fórmula 1.
Por que faltaram ultrapassagens no Madring?
O circuito de 5,4 km, montado ao redor do recinto de feiras IFEMA, entregou uma classificação movimentada graças à combinação de curvas de média e alta velocidade. Na corrida, porém, o cenário foi outro: a chicane da curva 5, apontada como principal ponto de ultrapassagem, não funcionou como esperado, e o excesso de curvas onde os pilotos precisam frear e virar ao mesmo tempo facilitou demais a defesa de posição. Um pitlane considerado longo também desestimulou estratégias diferentes de pit stop.
A dificuldade ficou evidente até para quem brigava na ponta. Max Verstappen, irritado após ser obrigado a devolver posições na primeira volta, chamou a prova de “corrida de Mickey Mouse” pelo rádio. A expressão é usada para definir algo sem graça — ou até mesmo infantil. A frase, relacionada principalmente ao episódio da largada, acabou reforçando o debate sobre os limites do traçado.
O que a organização promete mudar?
Abad garantiu abertura total para modificações e afirmou que a FIA já indicou o caminho para melhorar o traçado. “Temos o espaço, temos o local, temos as instalações, temos a capacidade para fazer isso”, resumiu o diretor-geral.
E os pilotos, o que sugerem?
O atual campeão Lando Norris criticou o traçado, apesar de reconhecer a qualidade da classificação. Para ele, uma solução seria abrir mais a pista em pontos como a curva 17 até a 20, criando uma curva ampla nos moldes da curva 1 de Austin. Outros trechos, como as curvas 5, 6 e 7, exigiriam soluções mais complexas, já que hoje obrigam o piloto a frear e curvar ao mesmo tempo — o que, segundo Norris, anula a graça da disputa.
Com recomendações da FIA já sobre a mesa e um contrato de dez anos pela frente, o Madring tem tempo para corrigir a rota. A dúvida que fica é até que ponto será possível equilibrar um traçado desafiador na classificação com um espetáculo de verdade na corrida.




