Giancarlo Giorgetti, ministro da Economia da Itália, classificou como “vergonhosa” a sugestão de trocar a seleção iraniana pela italiana no Mundial de 2026. A proposta partiu de Paolo Zampolli, enviado especial do governo de Donald Trump para Negócios Globais e aliado do presidente norte-americano, que ocupa cargo na Casa Branca. A Itália ficou fora da competição que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.
Zampolli revelou ao jornal “Financial Times” na quarta-feira (22) que solicitou a substituição à Fifa. A participação do Irã na Copa foi questionada no início deste ano após o início da guerra entre os dois países.
Autoridades italianas descartam a ideia
Andrea Abodi, ministro do Esporte da Itália, também rejeitou a proposta em declaração à agência italiana LaPresse. “Primeiro, não é possível; segundo, não é apropriado… Você se classifica em campo”, afirmou Abodi.
O técnico italiano Gianni De Biasi disse à Reuters que uma eventual ausência do Irã seria preenchida pela equipe que ficou logo atrás na classificação do grupo. “Além disso, acredito que a Itália não precisa do apoio de Trump em uma questão como essa. Acho que podemos lidar com isso sozinhos”, disse Gianni De Biasi.
A sugestão foi feita durante conversa entre Zampolli e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, segundo o “Financial Times”. Zampolli argumentou que os quatro títulos mundiais da Itália justificariam a presença no torneio.
Em entrevista ao jornal, Zampolli confirmou que fez a sugestão a Trump e a Infantino. “Sou italiano e seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos EUA. Com quatro títulos, há currículo suficiente para justificar a inclusão”, afirmou.
Fifa mantém Irã na competição
A Fifa não substituirá a seleção do Irã pela da Itália na Copa. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (23) pela rede britânica de TV BBC, com base em fontes da entidade esportiva.
A fonte ouvida pela BBC afirmou que a Fifa não tem planos para fazer a substituição. A troca só seria considerada se o Irã desistisse da competição.
A Itália não se classificou para a Copa pela terceira vez seguida. A eliminação ocorreu após perder a repescagem europeia para a Bósnia e Herzegovina. A derrota nos pênaltis para os bósnios marcou mais um capítulo frustrante para a tradicional seleção italiana, que acumula ausências consecutivas no principal torneio de futebol do mundo.
O Irã garantiu vaga no Mundial em março de 2025, pelas Eliminatórias da Ásia. O governo iraniano chegou a afirmar que a seleção não participaria do torneio por causa da guerra. A posição foi revertida posteriormente.
Irã pede mudança de sede dos jogos
A federação de futebol do Irã (FFIRI) pressiona a Fifa para transferir os três jogos da equipe na fase de grupos da Copa do Mundo dos Estados Unidos para o México. A justificativa é a guerra do governo de Donald Trump e de Israel contra o país. A maioria dos jogos do torneio será realizada em cidades norte-americanas.
O Irã pediu à Fifa que transferisse as partidas da seleção para o México, que também sediará jogos com Estados Unidos e Canadá. A solicitação foi negada. A estreia dos iranianos será contra a Nova Zelândia, em 15 de junho, em Los Angeles.
No fim de março, em entrevista à AFP, Infantino afirmou que o Irã estará na Copa do Mundo. Na semana passada, ele disse que visitou a seleção iraniana na Turquia. A equipe quer disputar o torneio.
“Eles devem jogar. O esporte deve ficar fora da política”, disse Infantino. “Claro, não vivemos na Lua, vivemos no planeta Terra, mas, se não houver mais ninguém que acredite em construir pontes e mantê-las, nós fazemos isso.”
A reportagem do “Financial Times” indica que a sugestão faz parte de uma tentativa dos Estados Unidos de reconstruir relações com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Meloni e Trump trocaram farpas após o presidente norte-americano criticar o papa Leão XIV.
A Fifa ainda não havia se posicionado oficialmente sobre o pedido do enviado especial de Trump até a última atualização desta reportagem.




