O ex-dirigente do São Paulo Marco Aurélio Cunha comentou, nesta sexta-feira (04/09), durante participação no “Papo de Craque 2ª edição”, da TMC, a polêmica envolvendo Carlos Henrique Sadi, conselheiro do clube e pai da jornalista Andréia Sadi. Cunha considerou as declarações do conselheiro “profundamente infelizes”, mas ponderou que o episódio não deve servir para desqualificá-lo como torcedor ou amigo.
Sadi afirmou, em entrevista que o São Paulo havia perdido o “glamour” e chegou a se declarar “elitista”, fazendo comparações entre o perfil histórico do clube e torcedores de regiões populares. Ele também criticou o que chamou de “baixo clero” no comando do Tricolor e citou Paraisópolis e Itaquera em suas declarações.
Para Marco Aurélio, o problema está principalmente nas comparações feitas por Sadi e na falta de equilíbrio ao expressar suas opiniões. “Sadi é um cara legal, um cara correto. Vocês não têm ideia do que é o São Paulo hoje. E, ao mesmo tempo, as pessoas não estão preparadas a falar determinadas coisas. Então, se a vida mudou, a análise dos fatos tem que ser muito mais equilibrada. Fazer exemplos, comparações, é sempre ruim. Você não faz comparações. Não tem diferença entre pessoas.”
O ex-dirigente afirmou que conhece Sadi há muitos anos e, por isso, prefere separar o episódio de sua avaliação pessoal sobre o conselheiro. “Eu acho que ele foi profundamente infeliz”, afirmou. Segundo Cunha, Sadi pode ter opiniões críticas sobre o clube, mas deveria ter demonstrado maior serenidade ao apresentá-las.
“Eu não vou desqualificá-lo como são-paulino, como amigo. Infelizmente, ele já foi para o lado de lá, já foi para o lado de cá. O Sadi anda por vários setores do São Paulo. E nesse momento deu essa declaração.”
“O São Paulo não é o Sadi”
Marco Aurélio também aproveitou a discussão para defender que o São Paulo não pode ser tratado como propriedade de grupos políticos, dirigentes ou personalidades individuais.
“O São Paulo não é o Sadi, o São Paulo não é o Marco Aurélio, o São Paulo não é o Harry Massis. O São Paulo é uma coisa enorme de 20 milhões de torcedores.”
Para ele, a atuação dos dirigentes precisa levar em consideração o torcedor e o interesse coletivo do clube, acima das disputas internas.
“A nossa conduta tem que ser para o nosso torcedor, não para grupos políticos, não para mim mesmo. Nós temos que colocar o São Paulo acima de todos nós.”
Cunha admite críticas de Sadi sobre o clube
Apesar de condenar a forma como Sadi se expressou, Marco Aurélio afirmou que parte das críticas feitas pelo conselheiro encontra respaldo em problemas que, segundo ele, existem dentro do São Paulo.
O ex-dirigente avaliou que houve uma queda no nível de capacidade, trabalho e dedicação ao clube e criticou a formação de grupos políticos interessados em ocupar cargos.
“O nível do São Paulo realmente de capacidade intelectual, de trabalho, de obsessão pelo São Paulo caiu muito, caiu muito. Hoje os interesses coletivos lá foram por água abaixo. O que se construiu no São Paulo foram grupos políticos lutando pelos seus cargos.”
Segundo Cunha, Sadi acertou ao apontar problemas relacionados à estrutura política do clube, embora tenha errado nas comparações utilizadas para sustentar seus argumentos. “Algumas verdades merecem ser colocadas”, afirmou.
Ele também criticou a formação de maiorias políticas no Conselho Deliberativo e disse que pessoas sem trajetória no clube passaram a ocupar posições por meio de chapas previamente organizadas.
“O São Paulo se vulgarizou”
Ao analisar a atual situação do Tricolor, Marco Aurélio fez uma distinção entre popularização e aquilo que chamou de “vulgarização” do clube.
“Quando o Sadi fala do São Paulo de antigamente, ele tem razão. O São Paulo de antigamente era muito melhor que o São Paulo de hoje. O São Paulo se vulgarizou, não confunda vulgarizar com popularizar.”
Na avaliação do ex-dirigente, popularizar o São Paulo seria positivo, enquanto colocar pessoas sem competência e ética em posições importantes representa um problema para a instituição.
“Popularizar, eu quero que o São Paulo seja o clube mais popular do Brasil. Mas vulgarizar é dar cargo a gente que não tem a mínima competência e ética para estar ali.”
“O caos chegou ao São Paulo em 2024”
Questionado sobre o momento vivido pelo clube, Marco Aurélio foi direto ao afirmar que o “caos” já chegou ao São Paulo há alguns anos.
“Faz tempo que chegou. Ele só não foi anunciado. Agora ele está sendo anunciado. O caos chegou no São Paulo em 2024.”
Para Cunha, a conquista da Copa do Brasil teria criado uma sensação de euforia que acabou mascarando problemas administrativos e financeiros.
O ex-dirigente citou ainda o crescimento do endividamento do clube e afirmou que a dívida teria aumentado em cerca de R$ 500 milhões ao longo de cinco anos de gestão.
Marco Aurélio também criticou a postura de setores do Conselho que, segundo ele, sustentaram a gestão mesmo diante dos problemas apontados pela oposição.
Esperança está em uma mudança no clube
Apesar das críticas, Cunha afirmou que ainda vê possibilidade de recuperação do São Paulo. Para ele, a saída passa por uma renovação política e pela chegada de pessoas comprometidas com o clube, e não com interesses pessoais.
“A esperança que eu tenho é que esse caos traga ao São Paulo pessoas de bem.”
O ex-dirigente defendeu a construção de um grupo capaz de trabalhar em estratégias para reduzir a dívida, melhorar o relacionamento institucional e reorganizar a administração do clube.
“A única maneira que eu vejo de poder melhorar o clube é você depurá-lo, moralizá-lo, popularizar sempre.”
Marco Aurélio encerrou reforçando que o São Paulo precisa recuperar princípios de gestão e ética.
“Você fazer do São Paulo um clube com baixo princípio moral, isso não pode.”




