Não é só Luca Zidane: veja outros “nepobabies” da bola que estão jogando a Copa do Mundo

Goleiro da Argélia, filho de Zinedine Zidane se destaca negativamente em um Mundial repleto de jogadores que trilharam o caminho dos seus pais

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O goleiro Luca Zidane, da Argélia, durante a partida contra a Jordânia, Estádio da Baía de São Francisco, em Santa Clara, Califórnia
(Foto: Carlos Barria/Reuters)

Depois de voltar a ser alvo de críticas na Copa do Mundo, o goleiro Luca Zidane — filho do ex-craque Zinedine Zidane — virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais na madrugada desta terça-feira (23/06). Na vitória da Argélia por 2 a 1 sobre a Jordânia, o arqueiro chegou a tocar na bola, mas não conseguiu evitar o gol de Al-Rashdan, lance que reacendeu questionamentos sobre sua titularidade e o peso do sobrenome que carrega.

O caso, porém, está longe de ser isolado. A Copa do Mundo reúne uma geração de jogadores que carregam heranças pesadas no futebol mundial. Há quem tenha ampliado o legado: o atacante Erling Haaland, da Noruega, já ultrapassou em projeção e desempenho o pai, Alf-Inge Haaland. Ainda assim, trata-se de uma exceção.

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Na maioria dos casos, os pais deixaram marcas históricas profundas: George Weah (pai de Timothy) foi eleito melhor jogador do mundo em 1995; Lilian Thuram (pai de Marcus) é uma lenda da seleção francesa campeã mundial; e Patrick Kluivert (pai de Justin) figura entre os maiores artilheiros da história da seleção holandesa. Nesse cenário, os filhos seguem tentando construir suas próprias trajetórias sob forte comparação.

Veja abaixo quem são os nepobabies da Copa:

Luca Zidane (Argélia)

Goleiro formado no Real Madrid, onde o pai, o genial Zinedine Zidane, é ídolo após brilhar como jogador e treinador. Após rodar por divisões e clubes menores na Espanha (como Rayo Vallecano e Eibar), optou por defender a Argélia, país de origem de sua família paterna. Titular na Copa aos 28 anos, vem sofrendo críticas pelas seguidas falhas. Foi comparado na internet a Edinho, ex-goleiro do Santos e filho do Rei Pelé.

O pai dispensa apresentações. Um dos jogadores mais geniais de todos os tempos, cérebro do título francês em 1998, estrela global pelo Real Madrid e Juventus, e dono de três prêmios de Melhor do Mundo pela Fifa.

Marcus Thuram (França)

Atacante versátil e de muita força física, é peça de rotação fundamental no esquema tático francês. Após ótima passagem pelo Borussia Mönchengladbach, consolidou-se na elite europeia brilhando e conquistando a Serie A pela Inter de Milão. Tem 28 anos.

Seu pai, Lilian Thuram, foi um dos maiores defensores da história. Zagueiro e lateral-direito, sagrou-se campeão mundial com a França em 1998 (marcando seus únicos dois gols pela seleção na semifinal) e europeu em 2000. Por muito tempo, deteve o recorde de jogador com mais partidas pela França.

Timothy Weah (Estados Unidos)

Ponta rápido e muito incisivo, é titular absoluto e um dos principais motores do ataque norte-americano. Na Europa, adaptou seu jogo para atuar também como ala, tornando-se uma peça tática importante na Juventus.

George Weah, ídolo histórico do Milan e do PSG, é até hoje o único jogador africano a vencer a Bola de Ouro (1995). Apesar de ser um dos atacantes mais letais dos anos 90, o atual político nunca conseguiu classificar a Libéria para disputar uma Copa do Mundo. O filho nasceu há 26 anos nos EUA e optou por defender a bandeira americana.

Erling Haaland (Noruega)

O grande superastro desta lista. É o titular absoluto, capitão técnico e a maior esperança da Noruega. Uma verdadeira máquina de quebrar recordes no Manchester City, já empilhou artilharias na Premier League e conquistou a Champions League. Aos 25 anos, disputa sua primeira Copa do Mundo.

Alf-Inge Haaland, seu pai, foi um volante de muita imposição física. Fez uma carreira sólida no futebol inglês (Nottingham Forest, Leeds e Manchester City) e defendeu a Noruega na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.

Justin Kluivert (Holanda)

Ponta habilidoso, atua como um reserva utilizado com frequência para dar velocidade e quebrar linhas no segundo tempo. Teve uma carreira um tanto nômade cedo (Roma, RB Leipzig, Nice) até encontrar boa forma na Premier League pelo Bournemouth.

Alcançar o status de quem lhe deu o sobrenome será tarefa quase impossível. Centroavante clássico, técnico e letal, Patrick Kluivert fez o gol do título da Champions League pelo Ajax aos 18 anos, virou ídolo do Barcelona e foi o grande artilheiro da Holanda na excelente campanha da Copa de 1998.

Giuliano Simeone (Argentina)

Atacante que compensa a falta de dotes técnicos com muita entrega tática, energia e agressividade. Conquistou seu espaço no disputado elenco argentino como reserva, ganhando minutos após se destacar no futebol espanhol pelo Alavés e Atlético de Madrid.

Aos 23 anos, é o mais novo dos três filhos da lenda Diego Simeone. O “Cholo” era um volante de raça inigualável, símbolo de liderança. Capitaneou a Argentina e disputou as Copas de 1994, 1998 e 2002. Fez história na Lazio e no Atlético, onde treina Giuliano. Giovanni (30) e Gianluca (26) também são jogadores, mas não fazem parte da Albiceleste neste Mundial.

Nico Paz (Argentina)

Jovem armador canhoto (23 anos), de excelente técnica e visão de jogo. Revelado pelo Real Madrid, é visto como o futuro do meio-campo argentino e atua nesta Copa como uma jovem promessa no banco, ganhando experiência e entrando em momentos pontuais.

É filho de Pablo Paz, um zagueiro com boa saída de bola. O patriarca se destacou principalmente atuando pelo Tenerife, na Espanha, o que lhe rendeu a convocação para a Copa do Mundo de 1998, na França.

Francisco Conceição (Portugal)

Conhecido como “Chico”, é um ponta-direita baixinho, canhoto e extremamente driblador, de 23 anos. Funciona perfeitamente como o “12º jogador” de Portugal, entrando para bagunçar defesas cansadas. Brilhou no Porto antes de se transferir para o futebol italiano.

Carrega um sobrenome que tem peso no país. Sérgio Conceição foi meia-direita clássico dos anos 90 e 2000, veloz e de ótimos cruzamentos. Ídolo no Porto e na Lazio, defendeu a seleção portuguesa na Copa do Mundo de 2002.

Giovanni Reyna (Estados Unidos)

Meia-atacante criativo, oscila entre a titularidade e a reserva na seleção americana, dependendo do esquema. Surgiu como fenômeno no Borussia Dortmund, mas teve a carreira profissional marcada por lesões que o impediram de atingir seu teto precocemente.

Claudio Reyna, seu pai, conhecido como o “Capitão América”, foi o maestro e o cérebro do meio-campo dos EUA por mais de uma década. Disputou as Copas de 1998, 2002 (onde fez excelente torneio) e 2006.

Sebastian Berhalter (Estados Unidos)

O jogador do Vancouver Whitecaps (MLS) tem 23 anos, é meio-campista e tem características de contenção e passe curto. Compõe o elenco norte-americano como reserva, oferecendo profundidade ao setor de meio-campo.

Sebastian é filho de Gregg Berhalter, um zagueiro seguro que fez carreira na Holanda e Alemanha. Disputou os Mundiais de 2002 e 2006 e, posteriormente, tornou-se o treinador responsável por comandar a geração de seu filho na seleção. Foi demitido antes da Copa, em 2024, após campanha decepcionante na Copa América.

Lee Tae-seok (Coreia do Sul)

Lateral-esquerdo moderno, com muita chegada ao ataque e bons cruzamentos. Destacou-se pelo FC Seoul, garantindo seu espaço e brigando diretamente pela titularidade na linha defensiva sul-coreana. Aos 23 anos (fará 24 em julho), já trilha carreira na Europa, defendendo o Austria Viena.

Nasceu 28 dias depois do término da Copa do Mundo de 2002, torneio em que seu pai, Lee Eul-yong, fez parte da histórica seleção sul-coreana que alcançou as semifinais, jogando em casa. Eul-yong era um meio-campista incansável, uma das engrenagens fundamentais da surpreendente equipe asiática.

Angus Gunn (Escócia)

Goleiro titular absoluto da Escócia. Construiu toda a sua carreira no futebol inglês (com passagens por Manchester City, Southampton e consolidando-se no Norwich), assumindo a meta escocesa com segurança nas Eliminatórias. Disputa sua primeira Copa aos 30 anos,

Herdou o talento com as mãos do seu pai, Bryan Gunn, também uma referência do Norwich City. Bryan foi convocado para defender a Escócia na Copa do Mundo de 1990, na Itália.

Kristian Thorstvedt (Noruega)

Meio-campista de boa estatura, forte no jogo aéreo e com muita chegada à área adversária. É presença constante entre os titulares da Noruega, fazendo o trabalho sujo e apoiando Odegaard e Haaland. Joga pelo Sassuolo, na Itália, e tem 27 anos.

Seu sonho é defender as cores do Tottenham, onde seu pai é ídolo. Erik Thorstved foi um goleiro histórico do Tottenham Hotspur, tendo somado 218 partidas pela equipe de Londres entre 1988 e 1996. Na seleção da Noruega, Erik foi o titular absoluto e um dos líderes do time que disputou a Copa do Mundo de 1994.

Mostafa Shobeir (Egito)

Goleiro do Al Ahly, o maior e mais vitorioso clube do continente africano. Aos 26 anos, mostra reflexos rápidos e ganhou a titularidade da meta egípcia na Copa do Mundo.

O talento embaixo das traves é uma marca de família. O pai Ahmed Shobeir é considerado uma instituição no gol egípcio e também no Al Ahly. Foi o goleiro titular e destaque do Egito na Copa do Mundo de 1990.

Leia mais: Entenda por que Haaland utiliza outro nome na camisa da Noruega na Copa do Mundo

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