Neymar não foi convocado outra vez por Carlo Ancelotti. A notícia, que já não é novidade, traz embutida nela outra informação. O maior artilheiro da história da Seleção Brasileira em jogos oficiais não será mais testado pelo renomado treinador italiano. Se for convocado, será uma vez só, direto para a Copa do Mundo da América do Norte em junho.
Mas ele será convocado? A resposta, como já era esperado, não veio. Mas Ancelotti deixou as portas abertas desde que o craque esteja “cem por cento” fisicamente.
O recado está dado. E agora duas perguntas imediatamente se estabelecem. O que Neymar precisa fazer? E como ele precisa fazer?
A primeira resposta virá da participação ou não do camisa dez santista dos dezesseis jogos daqui até o dia dezoito de maio, data da convocação final. Sim, serão dezesseis partidas. Dez rodadas do Brasileirão, quatro rodadas da primeira fase da Copa Sul-americana e um mata-mata da Copa do Brasil. Quantas vezes ele vai jogar? Vai entrar em campo na maioria das vezes? Não irá se machucar? Depois da data-FIFA não terá nenhum descanso. Todas as semanas preenchidas com jogos quarta e domingo.
Essa resposta já é difícil. A outra, então, me parece ainda mais. Como ele vai jogar? Neymar tem que superar uma lista enorme de craques que disputam com ele.
O técnico italiano desenhou na entrevista coletiva como irá distribuir as vagas para o Mundial. Serão nove meias-atacantes na Copa. E sete convocados já estão praticamente garantidos. Só uma lesão pode tirar Estêvão, Matheus Cunha, Raphinha, Vinicius Júnior, Luiz Henrique, João Pedro ou Gabriel Martinelli do embarque para os Estados Unidos. Sobram então duas vagas. Apenas duas vagas.
Duas vagas para Neymar, Endrick, Rayan, Igor Thiago, Richarlisson, Igor Jesus, Lucas Paquetá, Antony, Vitor Roque, Kaio Jorge, Pedro, Yuri Alberto e qualquer outro que alguém possa lembrar. Não basta Neymar jogar. Ele precisa jogar mais do que todos esses caras. Convencer o Mister que ele pode jogar mais. Convencer boa parte da torcida brasileira, que não acredita mais nele.
O desafio está lançado. A bola está com ele. Pela última vez ele tem uma chance. Diz Neymar que “não precisa provar nada pra ninguém”. Mas o discurso é quase protocolar. Para consumo externo. Porque Carlo Ancelotti exige dele mais do que isso.