O ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, vive um novo capítulo das investigações que buscam se aprofundar nos indícios de graves irregularidades durante sua gestão no clube, de 2021 e 2026. Segundo a apuração do repórter Bruno Giufrida, do GE, e a divulgação dos depoimentos em vídeo, a Polícia Civil e o Ministério Público ouviram de duas testemunhas interrogadas, que Casares realizava mensalmente saques em espécie de valores que giram em torno de R$100 mil desde o início de sua gestão.
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Os responsáveis pela condução da Força-Tarefa, o delegado Tiago Fernando Correia, da Polícia Civil, e os promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan, do Ministério Público, ouviram relatos de duas pessoas que trabalharam com Julio Casares do início ao fim de sua gestão e contaram mais detalhes desses saques suspeitos de dinheiro em espécie.
Segundo as testemunhas, essa era uma prática comum da “gestão Casares” com a justificativa de que a movimentação dos valores via carro forte seria para “adquirir ingressos” e posteriormente a retirada do cofre do Morumbi para “ações promocionais em eventos”, mas sem mais detalhes. Ainda segundo os depoimentos, os valores solicitados era entregues em envelopes na sala da presidência e na sequência Casares preparava uma sacola para que o dinheiro em espécie fosse colocado.
Os depoimentos ainda incluíram o nome de Marcio Carlomagno, braço direito de Casares e antigo “CEO do clube” – cargo jamais antes atribuído a nenhum outro profissional – que junto do presidente fazia a assinatura de recibos dessa quantidade de dinheiro entregue, além da afirmação que tal prática nunca havia sido adotada anteriormente por outros presidentes do clube.
Segundo a investigação, os depoimentos foram enviados ao clube para ciência do que foi dito pelas testemunhas e servir como base para as investigações da Comissão de Ética, que também monitora possíveis irregularidades de Julio Casares e conduz todo o processo de gestão temerária, que causou a renúncia antes mesmo da finalização do processo de impeachment do ex-presidente.
Foram justamente esses depoimentos à Polícia Civil e ao Ministério Público que motivaram o pedido da defesa de Julio Casares da interrupção das investigações, após um pedido negado de participação dos depoimentos sob justificativa do direitos de fazer perguntas às testemunhas.
Neste momento, a Polícia Civil e o MP conduzem três inquéritos que tratam o São Paulo como possível vítima de lavagem de capitais, possível corrupção no clube social e também o esquema de exploração clandestina do Camarote 3A do MorumBIS.
DEFESA DE CASARES SE PRONUNCIA
“A defesa de Julio Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, com vistas a restabelecer a verdade, reitera que todas as movimentações financeiras de Julio Casares possuem origem lícita e legítima.
No tocante a rubrica “ações promocionais”, reitera que tudo se acha regularmente acautelado na Contadoria do Clube. O numerário, que transitou pela conta contábil do SPFC, alocado nas movimentações financeiras em jogos e constante da pasta contábil “adiantamentos em jogos”, foram disponibilizados pela Diretoria Financeira e Contadoria do Clube para serem utilizados em despesas recorrentes de, no mínimo, 172 jogos do SPFC em diversas competições. Ou seja, tudo com destinação certa, específica e formalmente contabilizada.