Zion Suzuki chegou à Copa do Mundo 2026 carregando mais do que luvas. O goleiro de 23 anos é o único jogador negro da Seleção Japonesa, e já precisou enfrentar, fora dos gramados, uma batalha que nenhum atleta deveria travar.
Em janeiro de 2024, após o Japão ser eliminado pelo Iraque na Copa da Ásia, Suzuki recebeu centenas de mensagens com conteúdo racista nas redes sociais. A resposta foi desativar os comentários no Instagram e levar o caso a público.
Apelo e apoio
Em vez de silêncio, Suzuki escolheu falar. Durante entrevista coletiva, o goleiro se defendeu: “Gostaria que as pessoas parassem de fazer comentários racistas. Não vou deixar que isso me derrote. Quero responder com boas atuações e resultados”.
O técnico Hajime Moriyasu também se posicionou. Ele declarou: “Sinto muita vergonha e estou indignado por ele ter sido vítima de discriminação racial. Acho que isso não pode acontecer em hipótese alguma. É preciso respeitar os direitos humanos. Isso não tem lugar em um mundo diverso”.
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Na época, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi além. Defendeu punições mais duras contra o racismo nas arquibancadas, incluindo banimentos globais de torcedores e derrotas automáticas para equipes cujas torcidas pratiquem discriminação.
Cirurgia, recuperação e Copa do Mundo
O caminho até 2026 também teve obstáculos físicos. Em novembro de 2025, numa partida contra o Milan, Suzuki fraturou a mão esquerda. Passou por cirurgia e correu contra o relógio para chegar em forma ao Mundial.
Chegou e, na fase de grupos, a imprensa japonesa o exaltou após uma sequência de defesas diante da Holanda. Suzuki tem pai ganês-americano e mãe japonesa, e carrega essa identidade com clareza dentro e fora de campo.
Sobre seu estilo de jogo, ele declarou: “Claro que grandes defesas são importantes, mas acima de tudo, quero ser um goleiro que traga estabilidade ao time. Fazer o básico bem feito, com consistência. Jogar com a determinação de não sofrer gols. Acredito que é isso que, no fim das contas, inspira quem assiste”.
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