A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 72.476 acidentes nas rodovias federais brasileiras durante 2025. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (4/02), revelam que as ocorrências resultaram em 6.040 mortes e 83.490 pessoas feridas, das quais 20.002 em estado grave.
Comportamentos inadequados ou falhas dos motoristas foram responsáveis por 84,1% dos acidentes e 91,5% das mortes nas estradas federais, conforme o levantamento analisado pela Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG).
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A PRF calcula que a cada 100 acidentes, aproximadamente oito pessoas perderam a vida e 115 sofreram ferimentos. Esta proporção aumenta a pressão sobre o sistema de saúde e previdenciário, além de afetar diretamente as famílias das vítimas.
Entre os principais fatores identificados está a “ausência de reação do condutor”, problema que apareceu em 11.456 registros. Especialistas em psicologia do trânsito consultados pela Actrans-MG relacionam essa falta de reação ao estresse prolongado, sobrecarga mental e fadiga.
“Esses elementos diminuem tanto a capacidade de atenção quanto o tempo de resposta dos motoristas”, avaliam os profissionais, que consideram o desgaste emocional e as longas jornadas de trabalho fatores de maior risco nas estradas.
Os números representam uma média de 199 acidentes por dia, ou aproximadamente oito por hora nas rodovias federais brasileiras durante 2025.
Além da ausência de reação, a PRF identificou 2.117 casos relacionados a motoristas que dormiram ao volante e 3.685 ocorrências envolvendo consumo de álcool. Foram registradas também 87 mortes por mal súbito de condutores.
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Paralelamente, o Ministério da Previdência Social contabilizou 546.254 licenças concedidas por transtornos mentais em 2025, um aumento de 15% em comparação ao ano anterior. Ansiedade e depressão aparecem entre os diagnósticos mais recorrentes.
A Actrans-MG defende que as medidas preventivas precisam ir além da fiscalização e aplicação de multas. A entidade sugere a implementação de exames de saúde mais rigorosos, campanhas educativas e maior atenção às condições laborais dos motoristas profissionais.
Os especialistas em psicologia do trânsito ouvidos pela associação mineira destacam a necessidade de integrar saúde física e mental às políticas de segurança viária, especialmente considerando o aumento dos afastamentos por transtornos mentais no país.
