A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, contestou nesta sexta-feira (29/05) o programa federal Gas Release — mecanismo que obriga o agente dominante do mercado a ceder parte do gás natural a outros comercializadores. Para ela, o caminho para preços menores passa pelo aumento da produção, não pela transferência de volumes entre empresas.
O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e serviu também para a Petrobras divulgar um pacote de R$ 72,5 bilhões em investimentos no estado, segundo informações da Agência iNFRA.
Chambriard foi direta ao rebater a lógica do programa. Segundo ela, trocar o gás de mãos — ou fazer qualquer tipo de intervenção regulatória nesse sentido — não resolve o problema do preço. A executiva afirmou que o que reduz o custo do insumo é investir com seriedade, ampliar o esforço de produção e de compressão e buscar mais volume no subsolo.
Nas palavras da presidente da Petrobras, a lei da oferta e da procura ainda está em vigor. Só quando a quantidade disponível de gás for suficiente para atender à demanda o preço cairá de forma sustentável.
O Gas Release funciona como uma regra regulatória: o agente com posição dominante no mercado fica obrigado a liberar ou vender parte do seu gás a outros players, com o objetivo de ampliar a concorrência e, em tese, reduzir preços.
Leia mais: Impulsionado pela agropecuária, PIB do Brasil cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026
Investimentos em Sergipe
Além da crítica ao programa federal, a solenidade marcou o anúncio de um conjunto de projetos da Petrobras no estado. O pacote soma R$ 72,5 bilhões e inclui o Projeto Seap (Sergipe Águas Profundas), o descomissionamento de plataformas na região e a retomada das operações da Fafen — unidade produtora de fertilizantes e nitrogenados localizada em Sergipe.
A Petrobras também mencionou R$ 60 bilhões no contexto dos investimentos anunciados, conforme dados divulgados durante o evento. Os projetos fazem parte do portfólio da companhia para a região, com ações previstas tanto na exploração de águas profundas quanto na infraestrutura já existente.




