O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou nesta sexta-feira (27/02) sua decepção com as negociações dos EUA com o Irã sobre seu programa nuclear e alertou que “às vezes é preciso usar a força”, em meio a uma presença militar maciça na região que pode prenunciar ataques à República Islâmica.
Trump aumentou a pressão diplomática e militar sobre o Irã nas semanas desde a repressão iraniana aos manifestantes, tentando forçar os governantes do país a renunciar às armas nucleares e outras atividades que Washington considera desestabilizadoras.
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Depois que a última rodada de negociações na quinta-feira (26/02) em Genebra terminou sem um acordo, a paciência de Trump parecia estar se esgotando, embora ele tenha dito que não havia tomado uma decisão final sobre o uso da força.
“Eles não querem dizer as palavras-chave: ‘Não vamos ter armas nucleares’”, disse Trump. “Portanto, não estou feliz com a negociação.”
O Irã nega que esteja buscando desenvolver armas nucleares e quer que qualquer acordo inclua o levantamento das sanções dos EUA contra o país.
ALBUSAIDI DIZ QUE “ACORDO DE PAZ ESTÁ AO ALCANCE”
Trump falou um dia após as negociações em Genebra terminarem sem acordo, embora o ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, que foi mediador, tenha dito que houve progresso significativo nas conversas.
Albusaidi afirmou que “um acordo de paz está ao nosso alcance”, se a diplomacia tiver espaço para avançar.
O Irã concordou, em princípio, que nunca teria material nuclear que pudesse ser usado para criar uma arma, segundo o mediador.
Uma grande força militar dos EUA, incluindo dois grupos de porta-aviões, está na região aguardando ordens de Trump.
Embora o momento de uma decisão final não esteja claro, Marco Rubio deve se reunir em Israel com Benjamin Netanyahu no domingo e na segunda-feira para tratar do tema.
Os Estados Unidos se juntaram à campanha de bombardeios de Israel contra o Irã em junho, atingindo instalações nucleares importantes.
Questionado sobre a possibilidade de uso da força, Trump destacou o poder militar do país:
“Eu adoraria não usá-la, mas às vezes é necessário.”
Trump disse que novas discussões sobre o Irã ocorreriam. Omã, que atua como mediador, enviou seu ministro das Relações Exteriores a Washington para conversas com o vice-presidente JD Vance, segundo fonte familiarizada com o assunto.
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Autoridades da defesa dos EUA também estiveram na Casa Branca para reuniões sobre o tema. Rubio afirmou que os EUA classificaram o Irã como “Estado patrocinador de detenções ilegais”. Segundo ele, o país teria detido cidadãos norte-americanos e estrangeiros por décadas para obter vantagem política, e Washington pode adotar novas medidas, incluindo possível restrição ao uso de passaportes dos EUA para viagens relacionadas ao Irã.
Trump participaria de eventos em Corpus Christi, no Texas, e depois seguiria para Palm Beach, na Flórida, para o fim de semana em Mar-a-Lago. De acordo com uma fonte da Casa Branca, Trump está “muito ciente de todas as opções que tem pela frente”.
Nos bastidores, há avaliação de que um confronto com o Irã seria mais difícil do que a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, além de pessimismo interno sobre o sucesso das negociações.
“Ninguém está superotimista em relação às negociações”, disse a fonte.
- Por Reuters
