O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã está levando tristeza e também esperança ao povo iraniano, afirmou Beny Fard, especialista em finanças e negócios internacionais. Para Fard, que é nascido no Irã, seus compatriotas que estão longe do país estão torcendo para um movimento de insurgência de dentro para fora para derrubar o regime teocrático.
“A leitura que fazemos enquanto iranianos que deixaram o país há mais tempo é de esperança ao mesmo tempo que sentimos tristeza e angústia. A esperança é de que esse movimento perpetrado por (Donald) Trump e (o primeiro-ministro israelense Benjamin) Netanyahu, possa de alguma forma dar forças ao povo iranianos, que na sua absoluta maioria não quer esse regime”, declarou o especialista, em entrevista à TMC.
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Fard lembrou dos protestos que tomaram conta das ruas no Irã na reta final do ano e que pediam o fim do regime dos aiatolás. “Esse povo iraniano está nas ruas protestando há semanas e sendo massacrado pela Guarda Revolucionária, que é uma organização que lida com o seu próprio povo de forma truculenta. Que o povo nas ruas possa, através da insurgência, possa derrubar o regime de dentro para fora”, afirmou.
O especialista, que classificou a gestão atual do país como um “regime repugnante”, lembrou das mudanças geradas pelo regime teocrática desde a Revolução Islâmica, em 1979. “Após a queda do Xá Reza Pahlavi e a ascensão do aiatolá Ali Khomeini, uma série de eventos aconteceram, de supressão de direitos, radicalização do Estado, que fez com que milhares de iranianos buscassem novos lares. Assim foi o caso da nossa família: migramos ao Brasil em 1987.
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O ataque dos EUA, em parceria com Israel, teve início no sábado. Donald Trump, presidente americano, alegou que a motivação era enfraquecer o regime e impedir que o país desenvolve armas nucleares.
“A minha leitura e de outros especialistas do mercado é de que Donald Trump não está fazendo esse movimento para levar a democracia ao Irã. Assim como Bush filho fez com o Iraque, nos anos 2000. O que está acontecendo é um movimento coordenado com Israel para assegurar a sobrevivência de Israel e percebemos que é um movimento de esperança. Torcemos para que esse movimento seja cirúrgico e rápido, e que o povo possa se insurgir contra o regime e tomar conta do país.”
