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Bill Gates afirma que e-mail de Epstein é “falso” e pede desculpas por ter sido seu amigo

Mensagem de 2013 mostra o que seria uma briga entre os bilionários; co-fundador da Microsoft diz que nunca foi à ilha do predador sexual

O bilionário Bill Gates, um dos principais nomes em meio à repercussão pós-divulgação dos “Arquivos Epstein”, falou sobre o caso e sua ligação a ele. Gates afirmou que se arrepende de “cada minuto que passou” com o falecido financista, dono de uma enorme rede de tráfico e prostituição de menores de idade. O bilionário também rebateu acusações em torno de um e-mail na leva recente dos arquivos, dizendo que se trata de uma mensagem falsa.

Na correspondência, com o assunto “dear bill [“querido bill” em inglês]”, Epstein parece brigar com Gates, dizendo que ele “escolheu desprezar nossa amizade” e que o bilionário pedia a Epstein “antibióticos para dar sorrateiramente a Melinda [Gates, sua agora ex-esposa]” em virtude de “uma DST [doença sexualmente transmissível]” que Bill Gates teria contraído em uma visita à ilha de Epstein, conhecida por suas enormes festas repletas de celebridades e figuras políticas, bem como pela prostituição de menores.

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A mensagem foi enviada em julho de 2023; a leva mais recente dos Arquivos Epstein foi divulgada na última sexta (30/01) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e os documentos estão disponíveis no portal do órgão para acesso público.

Durante uma entrevista ao portal 9 News, da Austrália, Bill Gates alegou que o e-mail em questão é falso: “Aparentemente, Jeffrey escreveu um e-mail para si mesmo. Esse e-mail nunca foi enviado, ele é falso. Então não sei o que se passava na cabeça dele ali”.

“É apenas factualmente verdadeiro que eu estive em jantares”, argumentou o bilionário. “Eu nunca fui à ilha [de Epstein], nunca encontrei mulher alguma e, quanto mais for divulgado [sobre o caso], mais claro ficará que, por mais que tenha sido um erro meu passar tempo com ele, nunca teve a ver com esse tipo de comportamento”.

“Isso tudo apenas me lembra de que eu me arrependo de cada minuto que passei com ele, e peço desculpas por tê-lo feito”, disse Gates.

O co-fundador da Microsoft alegou que se aproximou de Epstein buscando ajuda financeira para a The Gates Foundation, sua organização que trabalha para combater questões de saúde e pobreza no mundo.

“Conheci Epstein em 2011,” afirmou Gates na entrevista, “e o foco sempre se deu no fato de ele conhecer muitas pessoas ricas. Ele dizia que conseguia convencê-las a doar dinheiro para a saúde mundial”.

“Eu fui um tolo por passar tempo com ele. Sou uma de muitas pessoas que se arrepende de tê-lo conhecido“, lamentou Gates.

O que foi o “Caso Epstein”, e por que ele importa

Jeffrey Epstein foi um financista estadunidense notório por ter cultivado, com seu dinheiro e influência, um círculo social de elites em todo o mundo. O magnata viria a transformar seu enorme livro de contatos em uma rede global de tráfico e exploração sexual de menores de idade, e chegou a ser condenado por prostituição de uma menor em 2008.

Epstein era conhecido pelas festas que promovia em sua “ilha pessoal”. Participaram dessas festas celebridades, atletas, políticos, empresários, cientistas e pessoas notáveis de praticamente todas as áreas da sociedade, o que também dava a Epstein acesso e poder inimagináveis; tanto pelo contato direto entre ele e as elites, quanto pela conhecida chantagem que o financista realizava com seus clientes, que temiam que Epstein divulgasse o que fizeram na sua mansão caso não o obedecessem. A mansão do financista contava com uma enorme quantidade de câmeras e microfones, capturando tudo que ali acontecia.

Quando o financista foi preso em 2019 por tráfico sexual de menores na Flórida e em Nova York, a população e setores da política dos Estados Unidos pressionaram o governo Trump a extrair de Epstein toda a verdade sobre os “Arquivos Epstein” – suas correspondências, os registros de voos para sua ilha, quem esteve na casa dele ao longo dos anos, entre outros.

Leia mais: Arquivos Epstein revelam plano para lucrar com ativos na Líbia durante guerra civil

A verdade, porém, ficaria obstruída; no dia 10 de agosto de 2019, Jeffrey Epstein morreu na prisão, alegadamente após se suicidar em sua própria cela. Especialistas forenses desafiam a conclusão do poder público, e uma fita do FBI dizendo mostrar vídeos das câmeras de segurança do presídio possuía quase 3 minutos de imagens perdidas.

A divulgação dos “Arquivos Epstein” foi ignorada, contra a vontade e os protestos da população, pelos governos Biden e Trump até 2025. Depois de prometer, em sua campanha, que divulgaria os Arquivos Epstein caso fosse reeleito, o atual presidente Donald Trump o fez com quase um ano de atraso e resistência.

Documentos nos Arquivos Epstein “podem ser falsos”, alega governo Trump

Os novos documentos divulgados no caso Epstein podem ser livremente acessados no portal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que encabeça os esforços do Ato de Transparência dos Arquivos Epstein.

Mesmo assim, o próprio Departamento comunicou uma mensagem confusa em nota oficial: no mesmo texto, o órgão afirma que realizou uma inspeção rigorosa da documentação enviada ao FBI, mas também alega que podem existir provas “falsas ou falsamente submetidas”, especialmente aquelas que incluírem “acusações contra o Presidente Trump”.

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